Por O Dia

Arthur Lira do PP, presidente do colegiadoDivulgação

Por Leonardo Fuhrmann (interino)

À sombra do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o PP tenta se manter vivo no Parlamento. O partido foi o mais atingido pelos pedidos de inquérito feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em razão das investigações da Operação Lava Jato. Ao todo, 18 dos 40 deputados da legenda tiveram seus nomes enviados ao Supremo, entre eles, o líder Eduardo da Fonte (PE). O líder do PSB, Julio Delgado (MG), chegou a pedir o afastamento de investigados da CPI da Petrobras, do Conselho de Ética e da Comissão de Constituição e Justiça. O argumento é que os parlamentares poderão se manifestar sobre questões que envolvem situações em que eles próprios também são investigados. As comissões deixaram a decisão a cargo dos deputados e seus líderes.

Na CCJ, o pedido de suspeição incluía o presidente do colegiado, Arthur Lira (PP-AL), e o primeiro vice, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). Os dois chegaram aos cargos por conta de um acordo do partido com Cunha, na época da disputa pelo comando da Casa. A eleição de Ribeiro quase foi barrada pelos colegas de comissão. Ele recebeu 28 votos favoráveis e outros 26 deputados votaram em branco. Ou seja, a indicação foi aprovada pela diferença mínima, porque o empate obrigaria o PP a apresentar outro nome. Também incluído nos pedidos de investigação de Janot, o presidente da Câmara se antecipou e se ofereceu para ser ouvido pela CPI da Petrobras. Para integrantes da comissão, a estratégia é uma tentativa de defesa prévia, pois o colegiado não tem ainda informações suficientes para questionar Cunha sobre o sua participação no esquema.

Problema rural

O pedido de investigação contra parlamentares suspeitos de ligação com a corrupção na Petrobras atingiu a bancada ruralista. Dos 22 deputados citados por Rodrigo Janot, 14 fazem parte desse grupo de interesse. Entre os 12 senadores apontados, apenas um é ligado ao agronegócio.

Ciclistas viram alvos de anti-petistas

Como as ciclovias construídas na cidade de São Paulo se tornaram um símbolo da gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), entidades de defesa dos ciclistas apontam um aumento da agressividade dos motoristas contra quem pedala. Para líderes dessas entidades, a disputa em torno da construção das faixas exclusivas na capital paulista e o acirramento de um sentimento antipetista motivam a violência no trânsito contra os ciclistas, que são — ao lado dos pedestres — os elos mais frágeis do trânsito. Fechadas propositalmente perigosas e a invasão da faixa segregada são alguns dos problemas mais relatados, muitas vezes com vídeos feitos pelas vítimas.

Raiz divulga manifesto nesta semana

O movimento criado por dissidentes da Rede, idealizado pelo ex-porta-voz Celio Turino, divulga na quinta-feira um manifesto para a formação do novo partido. Além de antigos integrantes do grupo da ex-presidenciável Marina Silva, eles contam com o apoio de militantes que deixaram outros partidos de esquerda, como o PT. Cada vez mais descontente com o PSB, a deputada Luiza Erundina (SP) tem sido uma presença constante nas atividades do Raiz, movimento cidadanista.

E espalha sementes pelo continente

O grupo busca apoio para se manter por arrecadação via crowdfunding e se inspira principalmente na experiência dos espanhóis do Podemos, partido que lidera as pesquisas eleitorais daquele país. Além dos europeus, que inclusive participaram de encontros do Raiz no Brasil, existe uma articulação com outros movimentos de esquerda da América Latina.

Colaborou Priscilla Arroyo

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