Por diana.dantas

Mexi num vespeiro com meu artigo de ontem. Bastou comentar as articulações em torno da candidatura do ex-presidente Lula à reeleição em 2018 para virar um saco de pancadas na internet. Nestes dias de confronto radical entre tucanos e petistas, a análise dos fatos políticos tornou-se profissão de alto risco. Se um colunista fala sobre o desgaste do PT, é imediatamente identificado como simpatizante do PSDB e das forças de direita contrárias às conquistas sociais. Se aborda a eterna disputa de egos no PSDB (que não chega a consenso sequer em torno do impeachment), é acusado de estar praticando jornalismo chapa branca ou coisa parecida. Logo, é muito difícil a tarefa de quem tenta manter uma opinião equilibrada e imparcial sobre a cena nacional. No momento, como diria Stanislaw Ponte Preta, um “Festival de Besteiras Assola a Internet”.

Diante de minha avaliação sobre as chances de Lula em 2018, leitores ponderados (não vale a pena perder tempo com gente que não mede as palavras) perguntaram, por exemplo, se não li a reportagem de capa da revista “Veja” desta semana, que traz a ameaça de um diretor da OAS de contar o que sabe sobre o petrolão. Caso faça o acordo de delação premiada, suas denúncias envolveriam o ex-presidente. Trabalhei em “Veja” durante oito anos — de 1973 a 1981 — e nunca deixei de ler o carro-chefe da Editora Abril. Respeito o trabalho de seus profissionais. Alguns deles, que se dedicam a reportagens investigativas, trabalharam comigo na “IstoÉ” e no “Jornal do Brasil”, em Brasília. Hoje, eles estão encarregados de ir atrás de denúncias que desgastem a imagem do PT, de Dilma Rousseff e de Lula. “Veja” assumiu esta linha editorial. Em termos de política, a revista tornou-se conservadora, pró-tucanos e antipetista.

Não me sinto, portanto, obrigado a concordar com as reportagens de meus ex-colegas de redação. Em outros tempos, quando agia com isenção, “Veja” ajudou a desvendar casos importantes (um exemplo histórico foi sua contribuição para o impeachment de Collor) . Hoje, no afã de buscar escândalos a qualquer preço, não tem tido o mesmo êxito. Lança acusações semanais, mas a maioria delas está caindo no vazio. Já fez vários ataques a Lula, na tentativa de envolvê-lo, primeiro com o mensalão e, agora, com o escândalo da Petrobras. Mas não atingiu o alvo. Sei, porém, que a equipe da sucursal de Brasília não vai descansar. Certa vez, a Abril comparou seus jornalistas aos “intocáveis” de Eliot Ness. Cabe a eles não dar trégua ao PT.

Não menosprezo o poder de fogo de premiados repórteres. Pode ser que, um dia desses, consigam levantar provas contundentes contra Lula. Enquanto isso, o ex-presidente leva em frente a estratégia para voltar ao Planalto em 2018. Reafirmo o que disse em meu artigo. Se o governo Dilma Rousseff restaurar os bons fundamentos da economia a partir de 2016, as chances de Lula ser reeleito daqui a três anos e meio vão crescer. Não é segredo que ele está pavimentando o terreno. Como disse o experiente Ricardo Noblat no “Globo”, “Lula derrotou Serra em 2002 e Alckmin em 2006. Calcula que poderia derrotá-los outra vez. Quanto a Aécio... Acha que ele dará um jeito de não atravessar o seu caminho”. Portanto, falar sobre os passos de Lula não significa adesão ao PT: é obrigação de quem interpreta a realidade. Contra os fatos, não adianta distribuir impropérios na internet.

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