Por diana.dantas

Há muita gente por aí dizendo que a presidente Dilma Rousseff agiu bem ao entregar a política econômica às mãos de Joaquim Levy, que é doutor pela Universidade de Chicago, o templo do monetarismo. “Todas escolas merecem respeito. Enganam-se os que acham que Levy seja uma pessoa inflexível e obcecada pela ortodoxia”, afirmou, por exemplo, o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, em entrevista ao Brasil Econômico. De forma geral, comenta-se que Levy, pela formação, é o nome certo para aplicar o ajuste fiscal e corrigir o rumo da economia, mesmo que o preço a curto prazo seja o aumento do desemprego. Como secretário do Tesouro no primeiro governo Lula e depois na Secretaria da Fazenda do Rio de Janeiro, ele mostrou que sua especialidade é mesmo fechar o cofre e jogar a chave fora. Seu remédio amargo pode exigir sacrifícios políticos e sociais, mas o fim justifica os meios.

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Entretanto, apesar do forte apoio às medidas do ministro da Fazenda, começam a surgir vozes dissonantes. Ao discordar do receituário de Levy, seus críticos atacam a raiz da teoria monetarista do Prêmio Nobel Milton Friedman, o “papa” de Chicago. Um deles, o professor emérito da UFRJ e titular da Coppe, Carlos Alberto Cosenza, conta que os argumentos de Friedman não resistiam a 15 minutos quando confrontados com correntes contrárias às doses cavalares de juros e ao corte radical nos gastos públicos. Segundo Cosenza, o respeitado John Kenneth Galbraith dizia que “Milton Friedman ficava doente ou evitava de alguma forma debates com o professor Abba P. Lerner”, da London School of Economics. Autor de famosos teoremas econômicos, Lerner formulou conceitos pós-keynesianos que até hoje são estudados em seminários da Universidade de Cambridge.

Aluno de Lerner, Cosenza ainda guarda o caderno em que registrou os efeitos perversos dos 10 mandamentos da ortodoxia econômica, que servem de base para a receita de Chicago. Eis a tábua da lei monetarista:

1 - Aumento da taxa de juros – inibe o investimento, diminui a velocidade-renda, diminui, ou neutraliza, o potencial de crescimento e afeta a demanda agregada;

2 - Facilitar ou provocar a desvalorização cambial – estimula as exportações, diminui a oferta interna, e os preços dos insumos importados aumentam e consequentemente os preços internos;

3 - Emissão de títulos públicos, provocando retração monetária, retirando moeda de circulação, aumentando a dívida do governo e desaquecendo a economia;

4 - Aumento dos impostos – aumento dos custos médios das empresas, aumento dos preços no mercado, retraindo a demanda provocando deseconomias de escala e mais aumento nos custos médios;

5 - Cortes nos gastos do governo – fragiliza o multiplicador do gasto do governo no incremento da renda nacional, atingindo mais uma vez a demanda agregada;

6 - Medidas de redução de crédito e retiradas de incentivos (as chamadas medidas macro-prudenciais );

7 - Diminuição sistemática da oferta de dinheiro, independente do programa de elevação da taxa de juros;

8 - Os bancos perdem suas fontes de recursos que financiam operações de crédito de longo prazo, diminuindo a capacidade de crescimento econômico;

9 - Medidas adicionais para eliminar bancos menores asfixiados pela crise de liquidez ou de solvência;

10 - Aumento dos depósitos compulsórios dos bancos, que subtrai moeda do sistema diminuindo sua liquidez. A oferta de moeda cai aumentando os juros dos empréstimos.

Conclusão do professor Cosenza: com sua fórmula monetarista, o ministro Levy trava o crescimento e eleva o desemprego para 9%.

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