Por diana.dantas

O IBGE divulga amanhã cedo os resultados do Produto Interno Bruto no primeiro trimestre. Se não houver surpresa, deve ser confirmada a expectativa do mercado financeiro de um recuo de 0,5% na atividade econômica, sobre o último trimestre do ano passado. Talvez um ponto a mais, já que o Bradesco prevê recuo 0,6%, levemente abaixo da expectativa apontada por pesquisa da Reuters. O que importa é a sinalização que o número dará sobre o comportamento da economia para os próximos meses. Ressalta o economista-chefe do Bradesco, Octavio de Barros, que o desempenho do primeiro trimestre possui informações relevantes sobre o PIB do ano inteiro. Ou seja, “como parte do PIB não é efetivamente medida e, sim, estimada, o nível/velocidade do primeiro trimestre costuma ser relevante para projetar o restante do ano”. E as projeções, ao que se sabe, são preocupantes.

A esta altura, o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, sabe que o mar não está para peixe. Praticante de iatismo, ele disse à experiente jornalista Miriam Leitão que as medidas de ajuste fiscal são necessárias para “limpar o convés e começar a navegação”. Mas advertiu que a viagem até a retomada do crescimento será longa. Pelo que preevem economistas do setor privado, é bom que os navegantes se preparem não só para o desgastante período da viagem. A economia também vai enfrentar águas atribuladas. Vem por aí mar de ressaca. Ontem, em palestra na Câmara de Comércio Americana, em São Paulo, o economista-chefe do Itaú Unibanco, Ilan Goldfajn, avisou que refez suas estimativas para pior. “Projeção de queda de 1,5% do PIB já me parece otimista", disse. “O crescimento potencial do país diminuiu; para crescer mais, serão necessárias reformas”, concluiu Goldfajn.

O Bradesco faz coro com seu principal concorrente. No destaque semanal do Departamento de Estudos Econômicos, Octavio de Barros afirma que, caso se confirme o resultado trimestral do PIB, a tendência é que o mercado continue revisando para baixo sua projeção para este ano, que hoje aponta retração de 1,2%. “Entendemos que, se nossa projeção para o primeiro trimestre se confirmar, as expectativas devem convergir rapidamente para uma contração do PIB de 2,0% em 2015. Isso se deve à piora, na margem, dos indicadores antecedentes e coincidentes do PIB, divulgados recentemente”. Vale lembrar que o segundo maior banco do país acenou com uma redução de 1,5% no PIB quando o mercado ainda trabalhava com queda em torno de 0,8%. Agora, o Bradesco sai de novo à frente com sua previsão de -2%, contra a estimativa média de 1,2%.

Há motivos para visão mais pessimista. Barros cita, em primeiro lugar, a última pesquisa Caged que mostrou a tendência de eliminação de 100 mil empregos/mês. Este número, pela série histórica, corresponde a uma retração de 3% a 4% do PIB. Outro dado que preocupa é a manutenção dos índices baixos de confiança dos empresários apontada em sondagem da FGV. “O patamar atual é incompatível com uma retração de apenas 1,5% em 2015 (...). Sugere uma queda interanual do PIB de cerca de 3,0%, muito abaixo do cenário consensual”.

Que ninguém se surpreenda, porém, com a travessia em mar encapelado. Como diz Levy, este é o preço a pagar para chegar a terra firme. “Tanto o crescimento negativo quanto a alta do desemprego são parte fundamental e não apenas uma consequência indesejada do ajuste em curso”, reforça o Bradesco.

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