Por O Dia

Rio - Que a vida seja feita de mar tranquilo, límpido, que as únicas dificuldades sejam as algas que chegam de tempos em tempos, mas não fazem mal algum. Que possamos ser como as iguanas, apoiando a barriga cansada na sombra enquanto tomamos sol na cara. Depois, que possamos nos esconder num buraco, sem sermos importunados. Que nademos suavemente como gigantes tartarugas marinhas. Ou não nos importemos de dar caronas, como os golfinhos. Que o sol chegue delicadamente em nossa pele, tocada pela constante brisa. Que as fontes se mesclem a suaves músicas de piano, a goles de margaritas, com sal e tequila. Limão e gelo para refrescar. Um mergulho por minutos, atravessando debaixo d'água, e assim emergimos da piscina, com a visão de diferentes personagens. Assim é a poesia de férias no Caribe, uma escolha acertada de cores e sabores, a qual todos deveriam ter direito e acesso.

Aqui ou aí, longe de casa ou perto, é muito importante observarmos o que a terra nos dá de melhor. Nossos bichos, nossas matas, nossos temperos e vontade de agradar. O México tem um quê de Brasil, capaz de encantar todos os personagens do mundo, desde as pessoas mais frias da Europa distante a gregos e troianos. É escolher a sua praia e se mandar. E estar receptivo às sensações.

Ninguém é mais importante que ninguém. Os personagens passam por nós e só nos cabe observá-los. Apeguei-me mais às pessoas com necessidades especiais e ao amor de quem as cerca do que a lindos e louros casais de gringos e amigas gatas. O primeiro que vi foi um casal de idosos. Magra, alta e muito esperta, ela chegava à piscina do hotel ao entardecer com o marido na cadeira de rodas, levantava seus pés e os apoiava na espreguiçadeira, servia-lhe um drinque, massageava seus pés, sorriam olhando a vista do mar turquesa. Uma outra moça, um pouco mais nova que eu, conduzia sua própria cadeira, escolhia e pegava sua própria comida, entre tacos coloridos e chilli beans. À beira da piscina, era ajudada por amigos a entrar e lá ficava de molho, bebendo com eles e sorrindo como se não houvesse amanhã. Um outro casal, de italianos, com seu filho autista de uns 16 anos e um menino de 8 anos, sempre nos mesmos lugares que nós no restaurante, de frente para a mata com coatis, e nas espreguiçadeiras da praia, à sombra de coqueiros. A família inteira cercava de amor o rapaz. Quanto amor transbordavam.

Por que criamos dificuldades? Não sei. Apenas sei que viver é bom, enquanto tivermos vida. Basta sentir.

E-mail: karlaprado@odia.com.br

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