Por monica.lima

Segundo o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, o pior do lado negativo do combate aos desarranjos econômicos já passou. Os indicadores econômicos divulgados nos últimos dias mostram que não é bem assim. O ministro tem razão quando se refere à estratégia de ataque às sequelas deixadas pela política econômica anterior. Sem a intervenção do governo, o ajuste se daria pela inflação, com descontrole cambial e surtos especulativos, e risco de perda de controle da situação. O economista Renato Fonseca, gerente-executivo de Pesquisa e Competitividade da Confederação Nacional da Indústria (CNI), observa que o argumento do ministro leva em conta que, na situação anterior, caminhava-se para o precipício, que seria a perda do grau de investimento. "Mas quando se olha para a indústria e para a população, haverá retração no emprego, menos renda e queda na produção". A recuperação será lenta e não pode limitar-se ao ajuste. Sem competitividade, a retomada da economia seria mais demorada.

O operador

O principal operador do sucesso governista na MP 665 foi o ministro da Aviação, Eliseu Padilha (PMDB-RS). Homem de confiança do vice-presidente, ele repete o estilo Temer de fazer política - organizado e discreto. Principal virtude: método. Virou vários votos resolvendo todos os problemas que lhe foram apresentados, às vezes "assinando" compromissos em branco.

Teste positivo

A vitória do governo na Câmara, embora apertada, foi um bom teste para votação do ajuste no Senado. Apesar do mau humor de Renan Calheiros, dificilmente sua bancada pessoal se unirá contra as medidas para fazer política com o fígado. Segundo um dos contadores da coordenação política, a tendência, no Senado, é repetir a Câmara com uma folga maior.

Medo de 2018

A bancada do PT no Senado é um estresse só. Dos 12 senadores, apenas dois têm mandato de oito anos - Paulo Rocha (PA) e Fátima Bezerra (RN). Os demais terão que disputar a eleição de 2018. O problema é como fazer isso exibindo na cédula uma sigla satanizada, depois de votar a favor da supressão de direitos dos trabalhadores e defender um governo com popularidade de quase um dígito. Em recente reunião, o líder Humberto Costa (PE) desabafou: “Estou sendo hostilizado na minha própria cidade”.

Lula, segundo seu o melhor tradutor

Leitura obrigatória: blog Balaio do Kotsho, do ex-portavoz de Lula. “Fiquei triste ao ver e ouvir o discurso de Lula neste 1º de Maio. Em toda a sua longa trajetória, Lula nunca ficou tão isolado num palanque”, escreveu. (http:// noticias.r7.com/blogs/ricardo-kotscho/)

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