Por diana.dantas

A Intel comemora os 50 anos da publicação do artigo em que Gordon Moore, um dos seus fundadores, estabelece relações entre o tamanho dos processadores e o seu custo. No mundo da tecnologia, tão acelerado na busca por inovações e tão cheio de previsões furadas, a vida longa da chamada Lei de Moore não deixa de ser notável.

Acho curioso contar que, quando publicou seu artigo na revista ‘Eletronic Magazine’, em 1965, Gordon Moore estava preocupado não somente com tecnologia, mas principalmente com a sobrevivência do seu mercado. Ele é físico e químico, mas caiu numa indústria bastante desafiadora naquela década. Ele criaria a Intel em 1968, ao lado do físico Robert Noyce. Mais do que um delírio premonitório sobre como a tecnologia iria se comportar, as reflexões de Moore podem ser lidas como uma carta de intenções. Ou um business plan. A Lei de Moore é, portanto, fruto de conhecimento técnico, da capacidade de observação e de muito trabalho de inteligência.

Falar assim é uma obviedade, mas a questão é que essas qualidades estão cada vez menos presentes no nosso dia a dia, justamente porque estamos deixando o exercício da inteligência na mão de outros. Mau negócio.

Pelo direito de escolha

E a Justiça de São Paulo determinou a suspensão do Uber em todo o país. Trata-se de mais uma insensatez cometida pelo Judiciário. Primeiro porque o serviço — que oferece ‘caronas’ remuneradas — não vai desaparecer. Outros concorrentes rapidamente vão ocupar esse nicho de mercado, com ou sem uso de aplicativos. É questão de tempo, até porque já se mostrou que o cidadão quer, sim, taxistas mais educados do que boa parte dos profissionais que hoje estão na praça. Mesmo que, para isso, tenha que se pagar mais caro, como é o caso do Uber.

A proibição vai na contramão da economia colaborativa, baseada sobretudo em aplicativos. O Airbnb é um exemplo disso: você aluga seu apartamento diretamente, sem intervenção oficial, com custos inferiores ao do mercado hoteleiro. É a economia da confiança.

Em seu site, o Uber resumiu bem a conversa: “As inovações tecnológicas trouxeram inúmeras oportunidades para as pessoas e as cidades. É por meio da tecnologia que as cidades vão se tornar cada vez melhores e mais acessíveis para o cidadão, que precisa ter seu direito fundamental de escolha assegurado.”

Quando a Justiça proíbe tal serviço, está fazendo o jogo de um cartel. Ou não?

É DISSO QUE O POVO GOSTA
Segundo pesquisa da MeSeems, somente 11% dos brasileiros costumam desembolsar mais de R$ 2 mil em um smartphone. A maioria dos consultados gasta, no máximo, R$ 1.200, enquanto 17% ficam ali entre R$ 1.201 e R$ 1.500. Ainda segundo a pesquisa, 45% dos brasileiros trocam de aparelho a cada dois anos, enquanto 29% o fazem todo ano. As marcas mais lembradas são Samsung, seguida pela Motorola e pela Apple. A pesquisa foi realizada via app, entre os dias 17 e 23 de abril últimos, envolvendo um total de 4.163 consumidores.

TIPO CARRO USADO
Se a pesquisa acima estiver corretinha, a Samsung terá muito trabalho para vender seu estoque do Galaxy S6. É um ótimo smartphone, mas seu preço varia entre R$ 3.300 e R$ 4.300. É tão caro que a fabricante resolveu adotar aqui um antigo recurso adotado pelas revendedoras de carros. A Samsung agora está aceitando aparelhos usados como parte do pagamento para quem comprar um Galaxy novo. Aparelhos antigos podem valer até R$ 1.700, dependendo do modelo. Vale para alguns iPhones, Motorolas, LGs, Sonys, Nokias e, claro, Samsungs.

MICROSOFT VAI À LUTA
A Microsoft inaugurou semana passada, em São Paulo, sua primeira loja na América Latina. Planeja abrir pelo menos cem quiosques ou lojas até o fim de 2016, em todo o país, aproveitando a extensa rede de revendas da Nokia que já operavam por aqui.

A VANGUARDA DO ATRASO
A gente vive na ilha da fantasia falando em TV digital etc. Por isso mesmo é surpreendente que 54,5% dos domicílios brasileiros usem TVs de tubo, daquelas que nem são mais fabricadas aqui no país. São 34,5 milhões de lares, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), referente a 2013, divulgada semana passada pelo IBGE. As TVs de tubo são maioria em todas as regiões, inclusive no Sudeste Maravilha. E vamos lembrar que o governo marcou para 2016 o desligamento do sinal analógico, marcando a definitiva chegada da TV ao mundo digital. Difícil...

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