Calculadora monitora emissão de gases deixada pelos Jogos Olímpicos

Equipamento foi apresentado em encontro será empregado para orientar organização de outros grandes eventos mundiais

Por O Dia

Rio - Terminados os Jogos Paralímpicos, o Comitê Rio 2016 vai lançar o que chama de ‘calculadora do legado’. Apresentada na última quinta-feira, em primeira mão, em encontro no Museu do Amanhã, a calculadora pretende auxiliar organizadores de grandes eventos mundiais a contabilizar – e reduzir — a emissão de gases de efeito estufa ao longo da organização.

Ao colocar informações como número de participantes, tipo de alimentação que será oferecida, meios de transporte utilizados, materiais usados para cenografia, quantidade de papel necessário, entre outras, a ferramenta emite relatórios que fazem um balanço de cada item apresentado.

“A calculadora mostra ações que você pode tomar para reduzir a emissão”, comenta a gerente de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Comitê, Tania Braga. Ela revela ainda que estuda um meio – online e gratuito – para abrigar a calculadora. Uma opção é o site ‘Observatório do Clima’.

“Espero que ao calcular o valor de carbono emitido num evento, seu organizador reflita sobre alternativas e soluções simples que podem ser realizadas para aumentar sua sustentabilidade”, torce o diretor de conteúdo do Museu do Amanhã, Alfredo Tolmasquim.

Mudanças climáticas%3A encontro no Museu do Amanhã lançou campanha em defesa do limite de 1%2C5°CDivulgação

Para ele, a emissão de gases para os Jogos Olímpicos do Rio deverá ser fortemente impactada pelo transporte de outros países para o Brasil, situado numa região do hemisfério sul e distante da Ásia e da Europa. Os números relativos à Olimpíada ainda serão divulgados oficialmente pelo comitê.

No encontro de quinta-feira, que contou com a presença do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, também foi reforçado o compromisso com a campanha ‘1.5°C: o recorde que não podemos quebrar’.

Concebida ano passado em Paris e assinada por 175 países em abril deste ano, a meta de não deixar o planeta aquecer mais de 1.5°C foi aprovada pela Câmara dos Deputados em julho. “Reitero e renovo o compromisso do governo brasileiro em dar pleno cumprimento ao Acordo de Paris. Meio grau pode parecer pouco, mas para muitos pode significar a sobrevivência”, ponderou.

Em pauta, o Rio do futuro

Os Jogos são realmente sustentáveis em matéria de sistemas de eficiência energética e de transporte? O que ficará da nova infraestrutura para o futuro ecológico do Rio? Estas são algumas questões que serão levantadas na Conferência Mega Sustainability – Sustentabilidade em Grandes Eventos Esportivos, que acontece quarta-feira, no Museu de Arte do Rio (MAR).

Promovido pela GIZ e Goethe-Institut, o evento vai debater o legado olímpico em desenvolvimento urbano, inclusão social, conservação ambiental e transparência pública. “Há uma grande variedade de convidados, especialistas com bases diferentes”, diz Robin Mallick, diretor do Instituto Goethe no Brasil, responsável pela organização.

A programação reunirá nomes como David Stubbs, chefe de Sustentabilidade dos Jogos Londres 2012, e Tânia Braga, diretora de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado da Rio 2016, além de representantes da Transparência Internacional, do Greenpeace e de várias universidades. 

Recicagem de lixo ganha reforço

Ao todo, 240 catadores de 33 cooperativas e três redes vão participar do processo de coleta seletiva dentro das arenas dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. De acordo com Ricardo Alves, coordenador do programa Ambiente Solidário, da Secretaria de Estado do Ambiente (SEA), é a primeira vez na história das olimpíadas que os catadores vão receber um valor pelo serviço prestado: uma diária mínima de R$ 80. E depois todo o material reciclado coletado, estimado em mais de 3 toneladas, será vendido e o valor revertido para eles.

“Nós esperamos que isso se torne um modelo a ser aplicado em outras prefeituras, entes governamentais e em outras partes do país”, ressaltou. O ‘Projeto de Reciclagem Inclusiva: Catadores nos Jogos Rio 2016’ é uma parceria entre a SEA, a Secretaria Nacional de Economia Solidária do Ministério do Trabalho e Emprego, e a Autoridade Pública Olímpica Rio 2016.

Cerca de 240 catadores serão beneficiados pela renda obtida na venda de materiais recicláveis que serão coletados nas arenas olímpicas Divulgação

Os catadores receberam treinamento e a maioria já tem experiência em coleta seletiva em grandes eventos: a maioria já trabalhou na Copa do Mundo de 2014. Os profissionais vão atuar em três frentes de trabalho: em Deodoro, no Parque Olímpico da Barra da Tijuca e no Maracanã, durante o período dos Jogos, entre agosto e setembro.

Outra medida de reaproveitamento durante os Jogos será a de óleo vegetal. Uma equipe do Programa de Reaproveitamento de Óleo Vegetal (Prove) vai desenvolver a logística reversa do óleo saturado produzido nas instalações olímpicas. A Prove já coleta 150 mil litros de óleo por mês.

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