Por O Dia

Rio - A segunda parcela da "Gratificação de Natal para os Trabalhadores", mais conhecida como 13º salário, tem que ser depositada até terça-feira, dia 20 de dezembro, como manda a lei 4.090/62. Exceto em caso de (outra) emergência, o ideal é aproveitar esse dinheiro para três coisas: pagar dívidas, quitar dívidas e eliminar dívidas (não necessariamente nessa ordem, mas necessariamente nessa urgência).

Essas são as opções preferenciais para utilização do abono ou do adicional porque honrar cobranças, reduzir prestações ou eliminar financiamentos são alívios — dependendo do tamanho do problema - equivalentes a se livrar de um mal-estar ou de um câncer.

SEMPRE VALE LEMBRAR

Isso mesmo: diferente de ter crédito, ter dívidas é como ter doenças que enfraquecem nossa capacidade de ganhar dinheiro, juntar dinheiro e aplicar dinheiro... a fim de gastá-lo em projetos duráveis ou investi-lo com equilíbrio e responsabilidade. Se, felizmente, você, seu bolso e suas finanças não sofrem de enfermidades econômicas, parabéns! Mas sempre vale lembrar, repetir e insistir que o novo ano começa com um pesado calendário de gastos fixos e excepcionais, previstos e imprevistos — aquela temporada de pagamentos de impostos, como IPTU (imóvel) e IPVA (automóvel), além de compras de materiais escolares e acertos de contas com as faturas dos cartões usados em três, seis, doze ou vinte vezes...

Daí que, até terça-feira, estará sendo despejada na economia brasileira a Gratificação de Natal restante — de um total de R$ 197 bilhões previstos para este ano pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Enfim, o 13º é um presente de Papai Noel que vem nos alertar que, se todo mundo tem uma segunda chance, o dinheiro também dá uma segunda chance a todo mundo — nesse caso, uma “décima terceira” chance... de fazer escolhas econômicas melhores e de tomar decisões financeiras mais inteligentes.

SEM DÍVIDAS E SEM DÚVIDAS

Não é por acaso que o Brasil tem hoje milhões de “novos” consumidores se deparando pela primeira vez com inflação, recessão e desemprego.

Esses “novos” clientes ainda não têm conhecimentos elementares sobre como lidar com velhas dificuldades porque nunca foram avisados que essas dificuldades poderiam voltar. Por isso, um dos objetivos aqui é “martelar” dicas, sugestões e orientações que, no atual cenário de dívidas e dúvidas, tornaram necessária essa espécie de manual de primeiros socorros contra a crise ou tutorial de sobrevivência econômica. 

Meu compromisso é ajudar a consolidar a educação financeira como um caminho sem volta na vida dos brasileiros — do mesmo modo que já se consolidou a educação ambiental como uma alternativa sustentável no futuro de todos. 

O QUE A GENTE PRECISA MUDAR

É evidente que o Brasil necessita de ações estratégicas na área de educação financeira porque apenas dizer às pessoas o que elas precisam fazer não está funcionando. Trata-se agora de inocular nas veias, mentes e corações do país inteiro pensamentos ou sentimentos capazes de suprimir deficiências gritantes e suprir conhecimentos básicos.

Muitos brasileiros ainda são orgulhosamente desinformados sobre crédito, empréstimo, financiamento... dinheiro em geral. Esse é um problema social, cultural e individual — com agravante de manias antigas e influências antiquadas, do tipo que tornam o assunto mal falado, mal discutido e mal conversado. É isso que a gente precisa mudar.

O SALÁRIO DEVE SER UM ‘ALIADO’

As boas práticas financeiras ensinam que “só se deve comprar aquilo que se consegue pagar”... o resto é dívida. Nesse sentido, o salário precisa ser um “aliado” do nosso modo de vida, ele não pode ser a “razão” da nossa vida. Caso contrário, vira-se refém do consumo. Consumo é querer, o que não é a mesma coisa que precisar. Querer é impulso. Precisar é fato. Não por acaso, o filósofo Immanuel Kant alertava: “Não somos ricos pelo que temos, e sim pelo que não precisamos ter”.

Bom domingo e boa sorte!

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