Herdeiros da alta cúpula: Veja o perfil de Luizinho Guimarães e Gabriel David

Ambos foram criados como primos e falaram sobre as suas conexões com o carnaval carioca.

Por O Dia

A Liga das Escolas de Samba do Rio tem duas figuras centrais, que fazem parte da chamada alta cúpula: Anísio Abraão David e Capitão Guimarães. O primeiro está prestes a completar 80 anos e o segundo, 75. E agora chegou a hora de pensar no futuro. Coincidentemente, os únicos filhos que se interessaram pelo Carnaval começam agora a circular pela Cidade de Samba.

Criados como primos, ambos com 19 anos, Gabriel David (filho de Anísio) e Luizinho Guimarães (filho do Capitão) têm personalidades bem diferentes. Gabriel é mais falante, odeia fotos e dá declarações mais prudentes. Já Luizinho é um rapaz de poucas e objetivas palavras. Sonha alto com a presidência da Vila Isabel, mesmo sabendo e respeitando a gestão do atual presidente Levi Junior, o Juninho. Gabriel estuda administração na PUC. Luizinho, Direito. Gabriel não entende nada de jogo do bicho. Luizinho, tudo. O que eles têm em comum? Ambos sabem a responsabilidade que carregam com seus sobrenomes.

Parte 1: Luizinho Guimarães

Luizinho GuimarãesDivulgação

Quem é você?
Meu nome é Luis Macedo Guimarães Gomes, sou o conhecido filho do Capitão Guimarães. Tenho 19 anos, sou estudante de Direito e moro em Niterói.

O que você tem do seu pai?
A postura.

Qual postura?
De ser uma pessoa educada, gentil, que trata todo mundo igual... Herdei respeito, lealdade e amor pelo próximo.

Você é o caçula?
Sim. Sou o caçula. Tem mais dois do primeiro casamento.

Como é que você desenvolveu o gosto pelo Carnaval?
Nasci praticamente nisso. Eu vou aos desfiles desde os meu 3 anos, então eu acho que a minha raiz é muito entrelaçada com o samba. Sempre frequentei a Liesa, a Cidade do Samba, desfile... Todo mundo me tem como se eu fosse um filho. Acho que o laços são muito entrelaçados entre mim e o samba.

Como você se vê daqui a dez anos?
Eu me vejo, se Deus quiser, presidindo a Vila Isabel, buscando muita</MC>s glórias para a comunidade que merece muito! Quero proporcionar o melhor para todos.

O ano de 2014 foi um ano meio trágico na história da Vila Isabel. Você acha que o fato da Vila Isabel ser a escola de coração do seu pai foi um dos motivos pelo qual ela não caiu?
Acho que não porque o Carnaval são quesitos.

Você acha que a bandeira da Vila Isabel pesou um pouco?
Não. O jurado procura fazer o melhor possível. Não tem como eu me colocar no lugar do jurado. Tiveram quesitos que a gente foi pior do que a penúltima e outros que a gente foi melhor. Acabou que eles caíram e a gente não.

Qual o futuro do Carnaval?
O Carnaval tem que se modernizar. A tecnologia em si tem que ser implementada até no desfile.

O Carnaval está vivendo a pior crise da história?
Eu acho que o Brasil está vivendo a pior crise da sua história então, co</MC>nsequentemente, o Carnaval, apesar de tudo, de toda crise, vai ter um desfile belíssimo.

Seu pai nunca gostou muito de holofotes. O holofote te incomoda?
Eu não me incomodo, acho que faz parte da vida.

Qual é a melhor coisa e a pior coisa de ser filho do Capitão?
A melhor coisa eu acho que são os benefícios, o respeito e o tratamento que muita gente tem comigo. A pior coisa é a responsabilidade e ter que ser correto 100%.

O que seria do Carnaval sem o jogo do bicho?
Acho que o jogo é fundamental para o Carnaval. Sempre vai ser.

Um dia vai ter um enredo em homenagem ao Capitão?
Acho que ele é um ícone do Rio. Futuramente vai ser uma das pautas que eu pretendo incluir. Acho que meu pai merece muito.

Que conselho o Capitão te dá?
Ele fala para eu estudar bastante, me formar como homem... Me aconselha em relação a vida. Ele é muito mais experiente e eu sempre ouço o que ele diz.

E você começa na Vila Isabel oficialmente quando?
Futuramente. Esse ano vai ter novidades depois do Carnaval.

E você sabe fazer Carnaval?
Eu procuro aprender.

O que você considera como o melhor do Carnaval?
A inovação e a criatividade.

Tem alguma coisa para falar para a Vila Isabel?
Queria agradecer a oportunidade e pedir à comunidade Macaco e Pau da Bandeira, raça e comprometimento.

Parte 2: Gabriel David

Gabriel DavidDivulgação

Primeira pergunta: você é o herdeiro do seu Anísio?
Acho que herdeiros são todos os filhos, né?

Mas quando eu falo herdeiro é com relação à Beija- Flor.
Acho que posso ser o sucessor do meu pai.

Tem outro?
Acho que de filho, não. Não sei se a Michaela (irmã de Gabriel) gostaria. Ela gosta de Carnaval, mas acho que não seria muito a praia dela.

Uma mulher não cabe muito no samba?
Acho que deveria caber mais.

Teu pai tem uma cabeça moderna?
Não, mas acho que ele não tem um preconceito formal quanto à mulher no samba. Só que ele pensa que não tem necessidade de ter. Ele tem 80 anos.

Você se imagina na Beija- Flor daqui a dez anos?
Me imagino! Eu imagino um projeto totalmente diferente do que é hoje, mas seguindo os mesmo princípios no sentido de que é uma escola com uma credibilidade gigantesca dentro do Carnaval. Todo mundo que trabalha no Carnaval quer trabalhar na Beija-Flor, onde todo mundo respeita. Uma escola que está sempre disputando títulos, fazendo um grande espetáculo, pronta para inovar. Eu me imagino na Beija-Flor assim, mas diferente do projeto administrativo que se tem hoje. Eu acho que o Carnaval precisa se modernizar.

No que?
Na administração dele, no modelo de gestão... Acho que dentro da administração, você dividir com um departamento de marketing, ter um departamento financeiro, trabalhar nos projetos sociais, ter uma captação formal, um planejamento maior do que o que se tem hoje. 

A Beija-Flor tem uma figura emblemática que é o seu pai, mas tem uma comissão de Carnaval chefiada pelo Laíla. A impressão que eu tenho é que isso não vai mudar nem na ausência do seu pai. 

Não, não vai mudar. Acho isso um sistema ideal tanto que outras escolas copiaram a Beija- Flor. É mais uma tendência que a Beija-Flor lançou no Carnaval e que deu certo. Acho que é interessante quando você tem uma comissão e não só uma pessoa. Acho importante ter um um líder, que no caso é o Laíla. E você tem outras figuras importantes dentro da comissão, com funções diferentes, porque aí você extrai o que tem de melhor da pessoa. 

Laíla é insubstituível?
É insubstituível, sem dúvida. 

O que você tem do seu pai?
Sou uma pessoa que acredita muito na minha intuição. Mas, diferentemente dele, acho que aceito mais a ideia dos outros.

Quantos por cento desse Carnaval tem o seu dedo?
Esse Carnaval tem um pedido meu para o Laíla.

Qual?
Quando acabou o Carnaval do ano passado, eu falei para ele que eu queria um desfile mais interativo com o público.

Como é que você ficou sabendo quem era o seu pai? Você buscou informações na internet? Ele te falava?
Um pouco, mas ele só começou a falar depois.

Quem tocou no assunto primeiro: você ou ele?
Ele, mas eu não tinha noção. Eu era muito criança, não tinha noção de nada, nem do que o meu pai representava. Não sabia o que era jogo do bicho. Até hoje eu não sei o que é jogo do bicho, não faço ideia.

Você se vê na Liesa no futuro, representando a escola?
Já representei em reuniões. Lógico que nunca assinei nada porque não posso.