Por leo.martinez
Mariana XavierDivulgação

Mariana Xavier ficou conhecida nacionalmente pela personagem Marcelina, no filme ‘Minha mãe é uma peça’, e a cada novo trabalho na TV, ela vem se destacando pelo carisma e a simpatima com o público. Atualmente ela vive a Abigail, na novela ‘A Força do Querer’.

Em um bate papo exclusivo para a coluna, Mariana fala sobre a sua vida pessoal, os bastidores das novelas e a sua nova empreitada com o projeto ‘Gordelícias’ que já virou livro e também canal no Youtube. A jovem atriz também afirma que gostaria de interpretar uma vilã na televisão:

“Eu vivo batendo nessa tecla que a gente tem que parar com o imaginário que toda gorda é engraçada, que toda gorda tem sempre que ser gente boa. Existem gordas más na vida real, então por que não tê-las também na ficção? No livro ‘Gordelícias’, tem um capítulo sobre carreira e eu falo justamente isso: eu quero o direito de não ser legal, sabe? Poder roubar o namorado da irmã, dar um golpe na empresa e poder ser acionista majoritária, fingir que eu viajei para Europa com o dinheiro da corrupção, roubar o bebê da empregada com o motorista... Eu quero ter esse direito”.

Como está a repercussão da Abigail em ‘A Força do Querer’?

Excelente! Eu fico acompanhando pelas redes sociais. A tendência é a Biga crescer bastante principalmente quando tiver a virada. Acho que a mensagem que a Glória (Perez, autora) quer passar é essa questão da autoestima e do amor próprio. Recentemente, foi ao ar ao uma cena em que ela aparecia malhando na praia e alguém falando: “Vai perder uns quilinhos e vai ficar gata”. Então ela responde: “Não estou querendo perder nada não, só estou querendo ficar com saúde”. As pessoas estão gostando e se identificando.

Existe diferença de assédio entre o público que assistiu você na faixa das 19 horas e agora acompanha o seu trabalho no horário nobre da Globo?
Estou percebendo um aumento absurdo de abordagens na rua. Sempre tive essa sensação de que a novela das nove trazia uma visibilidade infinitamente maior e agora realmente estou sentindo na pele essa emoção.

Como é sua relação com o Humberto Martins que faz o seu chefe na trama?
O Humberto tem sido um querido comigo, ao contrário do personagem, que é bastante grosseiro e preconceituoso. Ele me ajuda muito, me incentiva, sempre elogia as minhas cenas, é um cara divertido de se trabalhar.

Você foi uma das atrizes que abraçaram a campanha ‘ Mexeu com uma, mexeu com todas’. Como você viu essa manifestação que surgiu dentro dos Estúdios Globo?
Eu fiquei extremamente comovida e impressionada com o poder de mobilização das mulheres. Já está na hora de a gente entender que é preciso nos unirmos para lutar pelos nossos direitos. A mulher tem o direito de fazer o que ela quiser! Mulher pode gostar de sexo. Tem até um vídeo meu no Youtube falando disso. Eu digo que a mulher deve ter direito ao prazer, mas gostar de sexo não significa gostar de sexo com qualquer um; gostar de sexo não significa gostar de sexo com você porque você é famoso ou rico. Acho que foi o começo de um grande movimento que eu espero que perdure. 

Durante a sua carreira na TV ou no teatro, você já passou por algum momento constrangedor que chegasse a ser caracterizado como assédio? Poderia nos contar?
Aconteceu uma situação que na época eu não entendi como assédio, mas foi: eu estava ensaiando uma peça, uma coisa meio independente, e tinha umas situações de beijo. A montagem acabou não indo à frente e então um dia eu recebo um e-mail do diretor, que também era ator, dizendo que existia um desejo dele em relação a mim. Eu me senti extremamente ofendida porque, para mim, o beijo era apenas profissional. Só que talvez ele tenha conduzido aquela história — uma vez que ele era autor, diretor e ator — para ele se aproveitar de alguma maneira. Eu me senti extremamente mal e aí cortei relações com essa pessoa para o resto da vida.

Dentro dos camarins, existe algum preconceito por parte das atrizes com as colegas que não fazem o tipo macérrima?
Não. Pelo menos eu nunca senti isso.

Na novela, a Abigail vai se transformar em uma modelo plus size. Essa exposição de corpo ajuda ou atrapalha dentro do mercado de trabalho para quem é atriz?
Não sei... O corpo é o nosso instrumento de trabalho para dar vida aos personagens. Eu acho que a exposição do corpo ou não, depende do que o personagem pede e de quanto vale a pena se despir por aquela personagem. 

Você já recebeu convite para desfilar como modelo plus size?
Eu desfilei duas vezes como modelo plus size. Isso foi antes da novela. As outras vezes em que desfilei eu fui convidada mais como personalidade do que como modelo porque eu não tenho nem altura para ser modelo de passarela.

A sua popularidade se deu pelo papel de Marcelina no filme ‘ Minha mãe é uma peça’. Incomoda um pouco as pessoas reconhecerem você depois de tanto tempo como a filha da Dona Hermínia?
Às vezes incomoda, mas na verdade não tanto pelas pessoas reconhecerem pela personagem, mas pela forma de abordagem. É que, às vezes, as pessoas esquecem que eu não sou a Marcelina de verdade. Então não pensam que eu, Mariana, não vou achar maneiro alguém imitando Dona Hermínia, gritando comigo no meio da rua e me constrangendo. Tem vezes em que eu não consigo ser muito simpática porque eu fico tímida de tão constrangida com a situação. Aí eu acabo sendo um pouquinho ríspida. Uma vez eu escrevi sobre isso na minha página do Facebook... Gente, se um artista tem fama de ser legal e não foi tão legal com você quanto você esperava que ele fosse, repense! Talvez você o tenha colocado em uma situação vexatória. A gente é humano e também tem os momentos de fragilidade.

Qual o papel que você sonha interpretar na TV?
Uma vilã! Quase todas dizem que adorariam interpretar uma vilã, mas eu vivo batendo nessa tecla que a gente tem que parar com o imaginário que toda gorda é engraçada e tem sempre que ser gente boa. Existem gordas más na vida real! Então por que não tê-las também na ficção? No livro ‘Gordelícias’ tem um capítulo sobre carreira e eu falo justamente isso: eu quero o direito de não ser legal, sabe? De poder roubar o namorado da irmã, dar um golpe na empresa e poder ser acionista majoritária... Fingir que eu viajei para Europa com o dinheiro da corrupção, roubar o bebê da empregada com o motorista... Eu quero ter esse direito!

Nas redes sociais, você compartilha vários vídeos dançando na academia. Já passou por alguma saia justa com as suas parceiras de exercícios?
O que eu passo de vez em quando é uma discreta saia justa porque às vezes as pessoas me veem na academia malhando ou fazendo qualquer coisa e dali elas deduzem que é porque eu estou querendo emagrecer. Eventualmente rolam alguns oferecimentos com uma certa boa vontade. Outro dia uma criatura me parou na academia falando que era dentista especializada em estética e que queria me oferecer uma bichectomia, que é aquela cirurgia que tira gordura da bochecha. Aí eu tive que me desvencilhar dizendo que eu estava satisfeita naquele momento. Eu olhei para aquela mulher que parecia uma boneca inflável de tão plastificada e pensei: jamais! Mesmo que eu quisesse mudar alguma coisa no meu corpo nesse momento, jamais seria na mão dessa pessoa. Se ela acha aquilo bonito, definitivamente os nossos gostos não combinam e eu não poderia confiar meu corpo e meu rosto nas mãos dessa pessoa.

A gente percebe que você é bem feliz com o seu corpo, mas se pudesse mudar algo, o que mudaria?
A barriga me incomoda bastante, mas já estou mudando porque eu já tenho feito alguns procedimentos estéticos no intuito de diminuí-la um pouco. Eu costumo falar que ela cresceu de um jeito que eu fiquei com marca de uma cesariana de um filho que eu não pari nessa encarnação. Fiz criolipólise para tentar diminuir um pouco e funcionou. Estou fazendo tratamentos estéticos para melhorar o formato dela, mas não acho que isso seja um problema.

Ser famosa ajuda ou atrapalha na hora de se relacionar?
Acho que atrapalha porque a maioria dos homens ainda não está preparada para estar com uma mulher que, em geral, vai estar nos holofotes. Eu acho também que as pessoas fazem uma ideia errada da pessoa famosa: tem muita gente que acha e a gente é metido por ser famoso ou que só vai se relacionar com alguém rico. Aí eles nem chegam perto. Também tem quem ache que toda atriz é promíscua e se envolve com qualquer ator que contracena. É uma luta para convencer as pessoas de que isso não tem nada a ver com a profissão e sim com o caráter.

Já existiu algum namorado que tenha pedido alguma fantasia sexual relacionada com comidas?
Não.

Você está ganhando espaço também como Youtuber, no comando do canal ‘Mundo Gordelícia’. Como está essa experiência?
Sensacional! É uma oportunidade maravilhosa de mostrar para as pessoas a Mariana pessoa física e o retorno é incrível. Tenho recebido mensagens lindas de pessoas dizendo que se sentem inspiradas com as coisas que eu falo.

Na internet as pessoas ficam mais soltas ou muitos ainda usam máscaras na hora de falar sobre assuntos polêmicos?
Eu acho que as duas coisas. Na verdade, as pessoas ainda se sentem muito protegidas na internet, se valendo do anonimato e por isso se soltam para falar as maiores barbaridades como se a opinião delas fosse sempre inprescindível para a continuidade do planeta.

Na semana passada aconteceu o lançamento do livro ‘Gordelícias’, que você escreveu em parceria com outras atrizes. Como foi esse projeto?
Quando a gente lançou aquela campanha, no início de 2014 com aquela foto de biquíni, é claro que a gente queria causar algum impacto na sociedade pela democratização do verão, mas a gente nunca imaginou que seria um sucesso na proporção que foi. E isso acabou se desdobrando no livro.

Quem é Mariana Xavier longe dos holofotes?
A mesma! Uma pessoa de verdade, com qualidades e defeitos, mas um ser em busca de evolução.

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