‘Nunca traí o André', dispara Bruno Chateaubriand em entrevista

Ele falou com exlusividade à coluna sobre a sua intimidade e a vida profissional.

Por O Dia

Bruno ChateaubriandDivulgação

Sabe aquele casamento em que você olha e só enxerga amor? Assim era a união de André Ramos e Bruno Chateaubriand. Eles moraram sob o mesmo teto por 18 anos. Se casaram em uma época em que um relacionamento homossexual era quase inaceitável. Romperam barreiras e construíram uma relação sólida.

No último dia 7 de março, o casamento chegou ao fim. Bruno e André fizeram um breve anúncio da separação e depois se calaram. Na festa deste colunista, chegaram juntos. Mas separados. Do longo relacionamento, ficou a amizade e o respeito mútuo. Hoje, Bruno quebra o silêncio e fala não só da separação, mas da vida em comum com seu ex-parceiro e do Carnaval.

Depois de 18 anos, você e André Ramos se separaram. Parecia eterno. Vamos lá... Foi uma ruptura aos poucos ou aconteceu de repente?
Até o ano passado acreditava que o meu casamento seria para sempre. O André foi a minha filosofia de vida, minha prioridade durante esses 18 anos que estivemos juntos. Queria muito que tivesse sido para sempre. Tem um ditado que representa minha vida hoje: devemos saber florir onde a vida nos plantar.

Mas qual foi o motivo? Você pode falar?
Juntos chegamos à decisão de nos separar. Sempre quisemos muito bem um ao outro - e continuamos querendo - e quando notamos que algo não estava indo tão bem, decidimos pela separação. Foi uma decisão muito difícil. É inegável que temos uma história construída com muito afeto e cumplicidade nesses últimos 18 anos.

Houve partilha de bens? É verdade que você ficou com um apartamento em Ipanema?
Eu e André sempre mantivemos nossas vidas financeiras de forma independente. Sempre trabalhei muito. Portanto , não houve partilha. Cada um segue com o que já tinha. Mas como menciono a todo instante, continuamos a ser uma família . Somos próximos e contamos muito um com o outro .

Você traiu o André em algum momento nesses 18 anos?
Nunca traí o André. Meus olhos sempre foram apenas para ele. Sempre fomos muito cúmplices.

A relação era aberta ? 
Nunca optamos por esse formato. Sempre fomos muito ligados e decidimos por manter uma relação fechada . Nosso casamento foi um dos primeiros do país. Tudo era novo em 1998. Optamos por um modelo tradicional.

Quem terminou com quem? 
Como disse anteriormente, foi uma decisão tomada em conjunto. Queremos o melhor um para o outro. Isso continua a nos definir como amigos desde o dia do término. André continua a ser minha família.

Por que o André continua usando a aliança e você não?
Continua?

Você saiu da mansão onde moravam, na Gávea. Onde você está vivendo?
Quando decidimos nos separar chegou a ser aventada a possibilidade de cada um ficar em um lado da casa. Mas achei mais sensato, em função da nossa decisão, sair da casa. Onde estou vivendo? Em um esconderijo! Brincadeira. Estou em um apartamento meu na Barra .

Qual foi o melhor e o pior do casamento com André?
O melhor foram os 18 anos de história que construímos em comum. As viagens, as risadas, a certeza de ter alguém para dividir os pensamentos quando se chega em casa. Outro ponto muito positivo foi ter ajudado, com o nosso relacionamento, a muita gente a seguir de uma vida feliz. Ser verdadeiro com a sua essência. Recebi ao longo desses 18 anos muitas mensagens de gente dizendo que a nossa relação era inspiradora . Fomos ‘padrinhos’ de muitos relacionamentos homoafetivos. Ajudamos a mudar leis no nosso país. O pior momento foi o dia da separação. Dia 7 de março. Essa data marcou o meu coração para sempre.

Você exerce inúmeras funções: de assessor a editor de revista de casamento e palestrante sobre o assunto. Agora, assumiu a Federação de Ginástica . Não é função demais? 
Eu amo trabalhar. Isso me move. Exerço múltiplas funções com naturalidade. Todas as funções que tenho são ligadas ao mercado de comunicação e marketing. Quanto à federação... faz parte do trabalho voluntário que achava que deveria fazer. É um trabalho não remunerado. Acredito no poder de transformação do esporte. O esporte diminui diferenças. Constrói uma sociedades com menos muros e mais pontes.

Você foi colunista da ‘Veja Rio’. Não curtiu ficar desse lado ?
Na época, decidi sair da ‘Veja Rio’ em função da minha vida pessoal. Estava com tudo o que faço hoje e mais a coluna e um programa de rádio. Não estava vivendo.

O Carnaval está arraigado em você, mas vivemos um momento muito delicado. O que esperar para 2018?
Acho que o Carnaval de 2017 nos levou a uma profunda reflexão sobre os rumos do espetáculo. Alegorias muito grandes... Dois acidentes terríveis ! Foliões praticamente marchando sem sambar... O desfile está muito engessado. Acho que a base do nosso Carnaval está no elemento humano. No canto, na dança, na ginga do sambista. Isso que me encanta. Você sabe, por exemplo, qual foi a melhor comissão de frente desse ano na minha opinião? Foi a da Alegria da Zona Sul , na série A. Passava o recado e apresentava a escola . E o melhor desfile? Foi a Unidos de Padre Miguel, também da série A. Portanto , nem sempre o Carnaval mais caro é o melhor. Outra coisa que falo faz muito tempo é: acho que as notas do Carnaval deveriam ser dadas na hora. Como em competições esportivas. As justificativas deveriam ir para internet após o desfile de cada agremiação. Imagina a audiência disso? Só saberíamos a campeã no final do desfile de segunda. Iria gerar uma emoção a mais na transmissão. O espetáculo ficaria mais transparente, mais digital, mais atual.

E a imprensa? Os jornais vendem cada vez menos... As revistas idem. O mundo virou Instagram. Qual é o futuro da imprensa?
A imprensa sempre terá o seu papel. O bom jornalismo é fundamental em uma sociedade democrática. Acho que os veículos ainda não conseguiram se adaptar às novas demandas digitais. Mas isso em pouco tempo se transformará. Quem ganha dinheiro com isso não para de pensar em uma solução para essas mudanças.

E o seu futuro? Profissionalmente e pessoalmente? Você quer se casar de novo? Há chance de voltar pro André? 
Adoraria ter uma bola de cristal para responder essas perguntas. Aprendi que devemos viver um dia após o outro dando o nosso melhor. Gosto de ter a sensação de dormir tendo a consciência de que fiz o meu melhor. Esse aprendizado veio no ‘Saltibum’. Morria de medo de altura e passei a pensar no desafio do dia. Temos que nos superar diariamente.

Você acredita em casamento gay fechado pra sempre?
Acredito no amor. Isso me move. Acho que cada um deve estabelecer o melhor para a vida de cada casal.