Por thiago.antunes
Publicado 02/06/2017 00:31

Rio - O Ministério Público vai exigir na Justiça que o advogado Joel Lima Pinel Filho explique a declaração de que o advogado Felipe Caldeira alegava ter um esquema de distribuição de dinheiro no Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), responsável pelas investigações do escândalo da máfia do Fundo de Saúde da Polícia Militar (Fuspom).

A revelação consta em depoimento de um dos delatores do esquema, o lobista Orson Welles, que era lotado na Secretaria de Governo do Estado, ao juízo da 20ª Vara Criminal.

“O Ministério Público (...) interpelará judicialmente o advogado Joel Lima Pinel Filho. A decisão foi tomada durante reunião na Associação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (Amperj), realizada quarta-feira”, diz trecho da nota. Joel Filho é advogado do pai, o empresário Joel de Lima Pinel, réu em processo de fraude no Fuspom, que voltou para a cadeia terça-feira.

Pinel e Themístocles Tomé da Silva Neto tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Tula de Mello por ameaçar Orson de morte.

Queixa-crime

O advogado Felipe Caldeira, que defende Orson Welles, entrou com uma queixa-crime contra Joel Filho no MP por calúnia, injúria e difamação. Caldeira também representou contra ele na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ). Na terça-feira, a juíza Tula Mello classificou a declaração de Joel Filho contra o Gaeco e o advogado Felipe Caldeira como “evidente intenção de atrapalhar o feito”. Procurado, o advogado não foi localizado.

Themístocles e Pinel são donos da Micro View Comércio e Representações de Produtos Médico-Hospitalares Ltda e Bioalpha Serviços e Comércio de Materiais Médico-Hospitalares Ltda. Os empresários respondem por corrupção ativa no esquema do Fuspom. Enquanto Orson, seria lobista dos empresários na quadrilha que lesava o fundo.

Pinel também é delator do esquema, mas não estava cumprindo o acordo de fornecimento de equipamentos no Hospital Central da PM, no Estácio.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Pinel tinha livre acesso ao gabinete do Estado-Maior da PM. E não tinha o menor pudor em oferecer propina aos oficiais. Pinel, em pessoa, procurou o major Helson dos Prazeres prometendo R$ 25 mil para o oficial derrubar o parecer técnico que contraindicava a aquisição do equipamento da Bioalpha.

Na Justiça, sobre os desvios do Fuspom avaliados em até R$ 16 milhões, há processos na 20ª Vara Criminal — que chegaram a ter 31 réus presos, entre eles oficiais, mas o número caiu para cinco — e na Auditoria da Justiça Militar.

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