'Só vai beber champanhe no meu copo quem comeu grama comigo’, diz Marcus Majella

Confira uma entrevista exclusiva com o ator.

Por O Dia

Marcus MajellaDivulgação

Marcus Majella é um mestre na arte de fazer rir. E o ator, que está cheio de novos projetos, é o entrevistado de hoje da coluna. Amigo de Paulo Gustavo desde a época em que faziam curso de teatro na CAL, Majella relembra boas histórias da época das vacas magras.

“Ele veio até mim e me perguntou se eu tinha cheque (risos). Ele queria comprar um casaco e mãe não queria pagar. Eu emprestei e ele me pagou tudo certinho (mais risos). Somos amigos há 14 anos”, lembra o ator. Hoje, Majella diz que sabe bem separar quem é amigo e quem só quer se aproveitar de sua fama: “Só vai beber champanhe no meu copo quem comeu grama comigo”. Um lema para a gente levar para a vida, não é mesmo?

Fala um pouco da peça que você está estreando no Oi Casagrande?
Eu queria muito voltar ao teatro este ano. Estava procurando um texto, quando o Silvio Guindane me indicou o texto do Fernando Ceylão, que se encaixou perfeitamente com o que havia pensado. ‘Desesperados’ é uma peça muito divertida. Falamos sobre solidão, mas de uma forma leve, bem-humorada. São diversas situações no palco, que eu acredito que o público vá se identificar. Se não aconteceu com você, aconteceu com alguém próximo. Divido a cena com o Pablo Sanábio e o Pedroca Monteiro. Juntos, nós interpretamos 40 personagens. É uma loucura (risos). Temos a direção do João Fonseca.

Daqui a duas semanas estreia ‘Um Tio Quase Perfeito’, pela Globo Filmes. Me fala um pouco sobre esse longa?
Faço o tio Tony. Ele é despejado e vai parar na casa da irmã, que tem três filhos. A ideia inicial seria ficar uma noite só, mas como ele está todo enrolado e não tem para onde ir, vai dandoum jeitinho de estender a estadia dele. É um cara do bem, mas que se mete em bastante confusão. Estou feliz demais com esse filme. Espero que o público possa se divertir tanto quanto eu me diverti fazendo.

Como você conheceu o Paulo Gustavo?
Conheci o Paulo na CAL (Casa das Artes de Laranjeiras). Essa é uma história bem curiosa. Ele veio até mim e me perguntou se eu tinha cheque (</MC>risos). Ele queria comprar um casaco e a mãe não queria pagar. Eu emprestei e ele me pagou tudo certinho (mais risos). Somos amigos há 14 anos. Temos muitas histórias juntos. Durante esse tempo de estudo, ele ficava na minha casa, que era mais perto da CAL. E hoje, além de meu melhor amigo, Paulo é a pessoa que está sempre do meu lado, que me aconselha. Ele participou e participa muito da minha carreira. A partir do momento que os projetos foram aparecendo, ouvi muito as opiniões dele e as coisas foram dando certo. O que ele diz conta muito.

Você conquistou o seu espaço e ficou conhecido com um trabalho na TV fechada. Não tem vontade de fazer uma novela, por exemplo? Se fosse convidado, aceitaria?
Já fui convidado para fazer novela, mas ainda não consegui aceitar nenhum convite, porque estou envolvido em outros projetos como teatro, cinema e internet. A dramaturgia exige uma dedicação quase que exclusiva e eu ainda não consegui me planejar para isso. Mas tenho muita vontade de fazer.

Você passou por alguma dificuldade até se firmar como ator? Pode citar um exemplo?
Acho difícil você perguntar isso para um artista e ele dizer não! Passei muito perrengue. Lembro que, em 2009, estava sem perspectiva de trabalho e sem dinheiro para pagar o aluguel. Sabe aquele momento em que você começa a pensar que tem que reconsiderar as suas escolhas de vida? (risos). Quase desisti da carreira. Mas é algo que não dava, seria infeliz. E as coisas foram acontecendo depois, pouco a pouco, e fui em frente. Nesta época o Paulo Gustavo me ajudou muito. Me chamou para trabalhar com ele de contra-regra da peça ‘Minha mãe é uma peça’. O personagem ‘Marquinhos’, do programa 220 volts é inspirado nesta relação que construímos durante este trabalho no teatro.

No atual filme, você é o protagonista da história. Como é que fica a sua vaidade de estrelar um filme, que não é pouca coisa... Como manter o pé no chão?
É uma alegria muito grande fazer esse filme, entendo quando as pessoas frisam essa palavra ‘protagonista’. Mas o fato é que esse trabalho é consequência de uma caminhada, de uma trajetória de dedicação, de persistência. É uma responsabilidade grande sim, eu sei, mas estou muito realizado. Quando as coisas acontecem na sua vida porque você batalhou, quando elas não caem do céu, acho difícil você se deslumbrar e não ter o pé no chão. Sou o mesmo Marcos Majella de antes da fama, a diferença é que vivo hoje do que amo e sou reconhecido por esse trabalho.

Famoso sempre sofre com amigos que só querem aproveitar dos benefícios da fama. Você já sabe separar os verdadeiros amigos dos interesseiros?
Eu já tinha muitos amigos antes da fama (risos). Meus amigos não surgiram porque eu fiquei famoso. E muitos dos meus amigos também não eram famosos quando nos conhecemos e ficamos. Mas independentemente disso, de ser famoso ou não, todo mundo percebe quando alguém se aproxima por interesse, não? É só uma questão de observação. O fato é que só vai tomar champanhe no meu copo quem comeu grama comigo.

Você é sempre muito assediado em lugares públicos. E todas as vezes em que a coluna te encontrou, você sempre foi muito solícito com os fãs. Você gosta de ser abordado? Não se sente incomodado?
Adoro o carinho do público, quando eles chegam perto de mim para trocar, para falar que gostam do trabalho. Eu brinco mesmo, quero ouvir. Não me incomodo em nada. Esses dias agora, eu viajei para Nova York e fui abordado por um grupo de brasileiros, pedindo para eu gravar um vídeo com o bordão do Ferdinando, o famoso ‘viaaado’. Pedido prontamente atendido.

Fora da TV, você parece ser uma pessoa tímida. As pessoas nas ruas te confundem com Ferdinando?
Sim, as pessoas me vêem na rua e acham que vão encontrar o Ferdinando e eu sou bem diferente dele. Sou tímido e reservado. As pessoas ficam surpresas e acabam entendendo. Mas gosto muito dessa abordagem, da demonstração de carinho. É muito gratificante e sinal de que estou indo pelo caminho certo.

Ferdinando é um personagem muito forte e conhecido. Tem preocupação de ficar marcado por esse trabalho?
Não! É um personagem que eu tenho muito carinho, que me trouxe tantas coisas. Seria muito injusto eu ter esse medo. Sei que terei muitos personagens pela frente, como os que já tenho na peça ‘Desesperados’, no filme ‘Um tio quase perfeito’, que vai estrear agora no dia 15 de junho, no ‘Chocante’, outro longa, gravado ao lado do Bruno Mazzeo e do Lúcio Mauro Filho e estreia em setembro. Enfim, tenho carinho muito grande por todos eles.

Qual é o lado ruim da fama?
Não sei se eu vejo um lado ruim. Talvez a exposição, mas todo mundo fala isso, não é (gargalhadas)? Mas é porque, de repente, as pessoas têm interesse pela sua vida pessoal. E isso acontece meio que de um dia para o outro. E não tem manual para você aprender. É no dia a dia. Mas eu acho que lido bem.

O que você ouve nas ruas?
O ‘viaaado’ do Ferdinando é número 1. Outras expressões da série também. O ‘amooooorrr’ é outro (risos). As pessoas também comentam muito sobre o personagem Sandrinho, do vídeo ‘Cura’, do Porta do Fundos. É muito divertido!

É fácil fazer humor no Brasil?
Não. Fazer humor não é fácil em lugar nenhum (risos). As pessoas valorizam mais o drama do que o humor, como se fosse algo mais barato. E fazer rir não é fácil! Acho que se manter de arte é muito difícil. É preciso ter foco, persistência, saber lidar com as dificuldades. Não é moleza.

Você já conquistou sua tão sonhada casa própria?
Sim. Esse é um sonho realizado com muito trabalho.

O que te faz rir?
Meus amigos. Eles me fazem rir. Tenho pessoas muito bem-humoradas ao meu redor. Difícil estar com eles sem dar boas gargalhadas. Inclusive eles são minhas grandes inspirações para criar os personagens.

O que te faz chorar?
Um bom filme dramático, uma boa peça de teatro... Tem muitas notícias ruins no mundo também que me fazem chorar. Eu sou emotivo mesmo. Ver as coisas que acontecem pelo mundo, pelo nosso próprio país, as injustiças e desigualdades, são coisas que mexem comigo.

Já houve alguma saia justa com algum fã? Alguma abordagem maluca?
Não. O pessoal é muito carinhoso. Quando tem alguma premiação em que o ‘Vai que cola’, por exemplo, é indicada, eles vão para a porta com cartazes, eu acho isso incrível. São fãs bem atenciosos.

Como você lida com os paparazzi?
Raramente sou fotografado por eles. Geralmente acontece quando estou com o Paulo Gustavo. Outro dia mesmo, estava em um shopping e vi vários flashes pipocando, pensei: acho que jogo virou, não é mesmo? Mas foi só eu chegar mais perto para ver o real motivo de tantos cliques: Flávia Alessandra e Otaviano Costa estavam por lá e era o motivo do alvoroço (gargalhadas).

O que você gosta de fazer nas horas vagas?
Eu gosto muito de viajar. É algo que se eu posso fazer, eu faço. Mas gosto de estar com meus amigos, com quem eu amo. Mas minha cabeça, mesmo quando estou de folga, sempre está um pouquinho no trabalho (risos).

Você tem vontade de ser pai? Pensa em adoção?
Penso sim, mas no futuro, porque neste momento o ritmo de trabalho está muito intenso. Criar um filho exige muito da gente e no momento certo espero poder concretizar este sonho.