STF decide  se mantém a liberação de aditivos que geram sabores em cigarros

Prática foi proibida pela Anvisa e especialista alerta que produtos causam mais dependência

Por O Dia

Rio - Cigarros mentolados, sabores uva ou canela, podem estar com os dias contados. Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) julgam, nesta quinta-feira, se liberam o uso de aditivos em cigarros e outros derivados do tabaco no Brasil. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe. Mas os produtos são vendidos atualmente porque o Conselho Nacional da Indústria conseguiu derrubar resolução do órgão com uma liminar concedida pela ministra Rosa Weber há quatro anos. Portanto, o martelo dos ministros será batido agora.

A psicóloga Sabrina Presman, ex-coordenadora do Programa Estadual de Combate ao Fumo no Rio de Janeiro, é contra o uso de aditivos. "Não faz sentido um produto letal ganhar incentivo para usar aditivos que causam ainda mais dependência para atrair jovens", analisou Sabrina.  

Uma pesquisa publicada pelo NCBI, órgão da Biblioteca Nacional de Medicina dos Estados Unidos,  também disponibilizada pelo Inca, revela que os malefícios do tabagismo levam ao menos 428 pessoas a óbito por dia no Brasil. O país tem prejuízo anual de R$ 56,9 bilhões com os males causados pelo fumo. Ao todo, R$ 39,4 bilhões são gastos com despesas médicas e R$ 17,5 bilhões com custos indiretos ligados à perda de produtividade por incapacitação de trabalhadores ou morte prematura.


"Os dados são alarmantes e incontestáveis. Esperamos que os juízes do STF levem em conta as inúmeras evidências de que não se pode voltar atrás numa legislação que tem mostrado avanços. Temos que progredir e acompanhar as medidas que já são adotadas em outros países, inclusive nos Estados Unidos, que inibem o uso dessas substâncias”, argumenta Sabrina.