DOIS DEDOS DE PROSA

Por O Dia

DANIEL SOUZA, pres. do Conselho Ação da Cidadania

A Ação da Cidadania lembra no sábado os 20 anos da morte de seu fundador, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho. Acontecerão oficinas, apresentações de circo, teatro, rodas de conversa, contação de história, exibição de filmes e o show de Hamilton de Holanda, às 21h. Conversamos com Daniel Souza, filho de Betinho, sobre a data.

Como era o "Betinho Pai"?

O fato de ter vivido no exílio e voltar ao Brasil aos 14 anos fez com que minha infância fosse muito diferente. Acabamos convivendo pouco, não tínhamos uma relação próxima até que, por ironia, a Aids nos aproximou. Graças a Deus, ele viveu por bastante tempo. A infância e adolescência foram mais difíceis pela ditadura. Esse buraco na relação não existiria em momentos normais.

Como é lembrar os 20 anos da morte dele?

Ele faleceu justamente no Dia dos Pais. Então, por muito tempo, era uma lembrança que carregava comigo. Agora que sou pai de duas filhas, passei a ter alegria na ocasião.

Qual o legado do Betinho?

Foi colocar a cidadania e a solidariedade como os principais valores da sociedade. Ele tinha a capacidade de ser a ponte de diálogo entre opostos, conseguindo unir diversas pessoas em função de uma campanha de utilidade pública.

Como vê a forma de encarar a Aids hoje?

O Brasil se tornou referência no combate a Aids, mas estamos vendo o aumento da doença entre os jovens. Estamos, inclusive, trabalhando em um projeto de documentário sobre isso. A ideia é juntar os que foram contaminados nas décadas de 80 e 90 com os jovens portadores da doença. Também estamos fazendo um documentário sobre a microcefalia. As mães serão as narradoras. A ideia é lançar em 2018, quando comemoraremos os 70 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Em 2018, lançaremos documentários sobre o trabalho escravo, a lei Maria da Penha, a violência contra os jovens negros e sobre os 25 anos da Ação da Cidadania.

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