DOIS DEDOS DE PROSA

Por O Dia

JULIO JOSÉ ARAUJO JUNIOR, Procurador da República

Nossa conversa de hoje é com o Procurador da República Julio José Araujo Junior. Há três anos atuando em Volta Redonda, o ex-juiz federal concentra seu trabalho na cidade para ouvir e debater com a população sobre as questões mais importantes da região. Em especial, com grupos mais vulneráveis.

Conte uma novidade?

Entramos com uma ação judicial para que o ICM-Bio (órgão federal que cuida de áreas de proteção) estabeleça claramente a área de amortecimento da Floresta da Cicuta. Esta floresta pertence à CSN, empresa que tem muitas áreas que não são necessariamente ligadas à atividade industrial. A zona de amortecimento é uma área estabelecida ao redor de uma unidade de conservação com o objetivo de filtrar os impactos negativos das atividades que ocorrem fora dela.

Recentemente foi feito um acordo para a Fazenda Santa Eufrásia, que tinha apresentações teatrais que retratavam o período da escravidão. Comente como foi esse processo?

Com esse acordo, várias medidas positivas foram propostas. E outras atitudes na fazenda foram deixadas de lado. Alguns exemplos - deixar de vestir funcionárias de mucama (a escrava negra que prestava serviços domésticos, no tempo da escravidão). Foram propostas medidas positivas, como placas, panfletos, divulgação de um pedido de desculpas... Isso foi muito positivo para a fazenda.

O senhor tem conversado com outros fazendeiros. Como anda a questão?

Na discussão da Santa Eufrásia, constatou-se que havia um incômodo que não se limitava a essa fazenda. Não que as outras fazendas tivessem condutas específicas como o caso da Santa Eufrásia, mas que talvez merecesse um debate sobre formas de buscar se antecipar a isso. O MP quer fortalecer o turismo, para que ele esteja antenado a estas questões. Eu vou visitar todas as fazendas. Meu maior desejo é que daqui a um tempo nós vejamos que a situação está diferente.

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