Por karilayn.areias

Rio - Em 1994, quando Lula afirmou que o Congresso tinha mais de 300 picaretas, muita gente achou exagero. De lá para cá, algo mudou. Para pior.

Hoje a frase não chocaria mais ninguém. Ao contrário, muitos diriam que o petista pegou leve e os picaretas são muito mais de 300.

Para surpresa de alguns, uma vez no governo, o PT, Lula e Dilma se aliaram com boa parte desses picaretas. Acabaram derrubados por eles quando as classes dominantes resolveram retirar mais direitos dos trabalhadores. Em que pesem as exageradas concessões que Lula e Dilma já tinham feito aos poderosos, o cardápio exigido pela turminha braba de Michel Temer era salgado demais, e o PT não teria como encampá-lo.

Daí, o impeachment.

Hoje os picaretas, em número muito maior do que 300, dão as cartas no Executivo e no Legislativo.

Fazem barbaridades, lixandose para a sociedade. O debate sobre a mal chamada Reforma Política demonstra isso.

Até o relator, o deputado Vicente Cândido (PT) — ligado à CBF, cujos dirigentes máximos não podem sair do país para não serem presos por corrupção —, admite que sua proposta é muito ruim.

Para a eleição de deputados, acenam com um tal “distritão”, absurdo que só existe em quatro países: Ilhas Pitcairn, Vanuatu, Jordânia e Afeganistão. A fórmula tem um objetivo: facilita a reeleição de quem tem mandato. Assim, mantém a imunidade parlamentar de quem está em vias de ir em cana.

E inventaram um fundo no valor de R$ 3,6 bilhões com dinheiro público para partidos e candidatos financiarem as campanhas. Alguns, mais cínicos, o justificam: “A democracia tem seu custo...” Acenaram com doações secretas. 

Os nomes dos doadores só apareceriam se eles quisessem. Essa vergonha já foi retirada.

E querem a volta do financiamento de empresas, com o apoio de Gilmar Mendes, tentando a revisão do que decidiu o STF. “Ou ele volta, ou o tal fundo eleitoral vai ser aprovado”, ameaçam.

Ora, mas se todos concordam com a necessidade de baratear as eleições, por que não limitar seu financiamento a contribuições de pessoas físicas e num limite baixo?

“Ah, assim as eleições ficariam inviabilizadas”, dizem. 

Não é verdade. Só ficariam inviabilizadas as eleições tal com são hoje, onde o poder econômico dá as cartas. E isso não seria bom?

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