Operação não interrompe martírio dos caminhoneiros

Motorista é ferido em tiroteio e fica três horas como refém na Avenida Brasil. Empresa sofreu 16 roubos em um mês

Por O Dia

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teste- não tratar - Reprodução Internet

NENÉM!

A atuação da polícia e mesmo a operação conjunta das forças federais e estaduais de segurança não conseguem amainar a onda de roubos de carga nas estradas de acesso ao Rio e nas vias expressas da Região Metropolitana. Ontem, pela manhã, em menos de três horas, enquanto a equipe do DIA acompanhava o depoimento do caminhoneiro Antônio Euclides Ribeiro, mantido como refém na noite de domingo na Avenida Brasil, dois outros motoristas chegaram ao local para fazer registros de cargas que haviam sido roubadas na mesma via.

Antônio, de 36 anos, ficou mais de três horas sob a mira de uma arma e levou um tiro de raspão na perna e teve ferimentos com estilhaços no braço. O caminhoneiro foi interceptado na Rodovia Washington Luiz com Avenida Brasil, por volta das 21h, por cinco bandidos. Um deles entrou no caminhão e outros seguiram em um prisma prata. “Ele (o bandido) mandou eu retornar e entrei em um lugar que não cabia (a carreta). Passei por cima da calçada, retornei e entrei na Brasil sentido Zona Oeste”. Alertados por um taxista, PMs perseguiram o caminhão e houve troca de tiros. O veículo foi atingido por pelo menos 23 disparos na carroceria e 11 nos pneus, que o obrigaram a parar. Emerson Garcia Miranda, de 19 anos, fez Antônio como refém para negociar a rendição. Os demais assaltantes fugiram.

Policiais do Batalhão de Operações Especiais (Bope) foram chamados e, após duas horas de negociação, a mãe de Emerson foi levada ao local e o acusado se entregou. “Quando ouvi a voz da mãe pensei: graças a Deus eu não vou morrer”, contou Antônio, que disse que Emerson estava muito nervoso e a todo momento o ameaçava de morte. A empresa de Antônio teve caminhões roubados 16 vezes na Avenida Brasil no mês passado, segundo o ‘RJ TV’.

Na manhã de ontem, um dos dois outros motoristas que compareceram à Cidade da Polícia por causa de roubo de carga foi Tiago Perdigão Silva, 36, que foi sequestrado junto com o ajudante no último dia 28 de julho, na Rodovia Washington Luiz, na altura da Pavuna, e levado para a Favela da Ficap, na Pavuna. O outro condutor não quis dar entrevista..

‘Se fosse para voltar ao Rio, não ia querer, mas sou motorista e preciso trabalhar’

Esta foi a quarta vez que Antônio veio ao Rio a trabalho. Apesar das horas de pavor que viveu, ele diz que não pretende deixar a profissão. “Hoje, se fosse para voltar para o Rio, eu não ia querer, mas sou motorista e preciso trabalhar”, desabafou.

O motorista saiu no domingo, de manhã, de Visconde de Rio Branco, em Minas Gerais, onde mora com a mulher e dois filhos, e seguia para o Mercado São Sebastião, na Penha, onde entregaria a carga de 20 toneladas de frango, avaliada em R$ 300 mil. Ele contou ainda que, com a anunciada operação das forças federais e estaduais para combater o roubo de carga, achou que estaria mais seguro. “No Rio, você pode esperar qualquer coisa. Mas, com toda essa segurança, eu não esperava passar por isso, já que houve uma grande ação para combater a criminalidade. Pensei: não é possível que, mesmo com a Força Nacional, sejamos roubados”, exclamou. Perguntado se sente raiva do bandido, o motorista respondeu chorando: “Não tenho raiva dele. Ele nem sabia para onde queria ir.”

A delegada-adjunta da Central de Garantias, Elaine Nunes Rosa, disse que Emerson não tem antecedentes e responderá por roubo com arma de fogo, restrição da liberdade e resistência. Emerson não quis falar no depoimento, mas, informalmente, contou aos policiais que, por ser o mais novo do bando, foi obrigado a ir na cabine.

Tiroteio fecha a Linha Vermelha por meia hora

A Linha Vermelha, na altura de Duque de Caxias, ficou fechada na tarde de ontem por 30 minutos por conta de um tiroteio entre policiais e criminosos das comunidades Lixão e Vila Ideal. Motoristas assustados tentaram retornar na contramão. No início da noite, outra operação policial, na mesma região, provocou novas interdições na via. Um ônibus foi incendiado no Lixão.

De acordo com a PM, policiais do Batalhão de Choque suspeitaram de homens caminhando pela estrada em frente à comunidade. Durante a abordagem, bandidos das comunidades trocaram tiros com os agentes. Na ação, dois suspeitos foram presos, um rádio transmissor e um carregador de pistola foram apreendidos.

Pelas redes sociais, muitos relataram momentos de pânico. “Que horror. Me faltou ar quando ficamos no meio do tiroteio”, declarou um usuário. “Quase todo dia tiroteio. Precisamos de paz”, desabafou outra internauta.

 

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