01 de janeiro de 1970
  • WhatsApp (21) 98762-8248

Petistas e tucanos amargam 'ressaca'

Afastamento de Aécio e carta de Palocci caem mal nos dois partidos

Por O Dia

A presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o ministro das Relações Exteriores, Aloysio Nunes, passaram o dia de ontem cuspindo marimbondos em reação a atitudes tomadas contra seus correligionários. Era a ressaca por mais uma carta-bomba de Antonio Palocci espinafrando Lula e pelo afastamento de Aécio Neves do Senado.

Pelo Twitter, Aloysio criticou a decisão do Supremo de afastar Aécio Neves do mandato e de lhe impor 'recolhimento noturno'. A crítica mais pesada foi direcionada a Luiz Fux. "O ministro Fux permitiu-se zombar de Aécio na conclusão do voto que lhe impôs penalidade não prevista no Direito Brasileiro", atacou. "Esqueceu-se de observar um princípio dos magistrados da Roma antiga, zelosos do decoro do tribunal: a pessoa do réu é sagrada".

O voto de Fux foi o de desempate no julgamento. O ministro afirmou que Aécio deveria ter se licenciado do mandato para provar sua inocência. "Houve claro desvio de moralidade no exercício do mandato. Isso tudo se resume num gesto de grandeza que o homem público deveria adotar. Já que não teve, vamos auxiliá-lo para que se porte tal como deveria se portar, não só sair da presidência do PSDB, mas pedir licença, sair do Senado, para poder comprovar à sociedade a sua ausência de culpa no episódio que marcou de maneira dramática sua carreira".

Já a senadora Gleisi Hoffmann, presidente do PT, condenou a carta divulgada por Palocci e seus advogados, criticando o ex-presidente Lula e o partido, do qual se desfiliou. Afirmou em nota que Palocci é "um condenado que desistiu de se defender e quer fechar negócio com o MPF, oferecendo mentiras em troca de benefícios penais e financeiros". Palocci, continua Gleisi, decidiu "queimar seus navios, romper com sua própria história e renegar as causas que defendeu no passado. A forma desrespeitosa e caluniosa como se refere ao ex-presidente Lula demonstra sua fraqueza de caráter e o desespero de agradar a seus inquisidores".

Na carta de desfiliação, o ex-ministro questiona "até quando vamos fingir acreditar na autoproclamação do 'homem mais honesto do país'" e se "somos partido sob a liderança de pessoas de carne e osso ou uma seita guiada por uma pretensa divindade?"