01 de janeiro de 1970
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Nova polêmica com nu artístico

Presença de crianças em performance com homem pelado provoca celeuma nas redes

Por O Dia

A participação de uma criança em performance protagonizada por um homem nu deu início a nova polêmica sobre a liberdade artística nas redes sociais, desde a noite de quinta-feira. Fotos e vídeos registrados no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM) mostram uma menina de 5 anos tocando os pés de um artista nu que estava imóvel e deitado sobre o chão.

Em nota, o MAM ressalta que a criança estava acompanhada da mãe e que a sala onde ocorria a performance estava "sinalizada sobre o teor da apresentação, incluindo a nudez artística". O museu também garante que o trabalho, intitulado 'La Bête', não tem qualquer conteúdo erótico.

A apresentação ocorreu na abertura da 'Panorama da Arte Brasileira', terça-feira. Trata-se de uma leitura interpretativa da obra 'Bicho', de Lygia Clark, segundo o MAM. O coreógrafo Wagner Schwartz se posiciona nu sobre um tatame, manipulando um origami. Em fotos de divulgação, participantes o abraçam ou o mudam de posição, e grande parte o filma.

Já as imagens da interação da menina com a apresentação foram divulgadas por fontes desconhecidas na internet. A criança parece mostrar curiosidade enquanto engatinha pelo tatame, vendo uma mulher adulta tocar os pés do artista. A mulher a incentiva a participar, a menina ri, toca rapidamente os dedos dos pés dele e volta à plateia diante de sorrisos do público.

O MAM considera que as "referências à inadequação da situação" são "resultado de desinformação, deturpação do contexto e do significado da obra". A instituição informou lamentar as "interpretações açodadas e manifestações de ódio e de intimidação à liberdade de expressão" nas redes.

O chargista Renato Aroeira teme pelo recrudescimento do obscurantismo. "Minha percepção é que o obscurantismo está avançando na nossa sociedade. As pessoas vivem em pânico, e por não entenderem a causa destas angústias estão com medo de tudo que possa perturbar suas vidas. A cultura da simplificação está tomando conta do pensamento moderno. Terreno fértil para censores, moralistas e fascismos. A perseguição ao artista que rompe limites, mesmo que levemente como é o caso dessa performance no MAM está ficando insustentável. A criminalização da discordância é assustadora".

O Movimento Brasil Livre criticou veementemente a exposição. "A exposição é mais uma que mostra a falta de bom senso e de decência de pessoas que querem seguir uma agenda criminosa e nociva para nossas crianças. Essa exposição de forma alguma é arte e fere a lei de forma contundente", pondera em vídeo Kim Kataguiri, líder do MBL.