DOIS DEDOS DE PROSA

Por O Dia

KÁTIA S. BOGÉA, historiadora e pres. do Iphan

O Iphan está correndo risco de fechar as portas por falta de funcionários. Para entender melhor a situação, conversamos com a presidente do instituto, Kátia Bogéa.

Tem possibilidade do Iphan fechar?

A possibilidade é real. Temos 680 funcionários, que são técnicos especializados. 350 se aposentarão em 2018. O Iphan é um órgão técnico e precisa de arquitetos especialistas em preservação, historiadores de arte, restauradores, arqueólogos, engenheiros... Para tocar uma obra em um prédio do século 18 é necessário um profissional especializado. Não é mão de obra fácil.

Qual é a saída para isso?

A saída é autorizar um concurso para os 580 cargos vagos e fazer o chamamento em três anos, que é o tempo para retomar a economia. A economia já está dando sinais de recuperação. Então, poderíamos fazer o concurso em 2018 e chamar apenas uma parte dos aprovados. Em 2019, a outra e em 2020 a parte final. Assim faremos a recomposição da força de trabalho.

Isso depende de quem?

Do Ministério do Planejamento. Estamos em negociação com a pasta. O Ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, está fazendo suas ingerências junto ao Ministério do Planejamento e ao presidente Temer. Estamos sensibilizando todos os ministros. E o Ministro da Cultura está muito envolvido e comprometido com a questão.

No aniversário do Iphan, a data será comemorada com evento no Municipal, com o Prêmio Rodrigo Melo Franco. Fale sobre isso.

O prêmio existe há 30 anos. É a principal iniciativa para premiar as boas práticas de conservação do patrimônio cultural brasileiro. Teremos oito premiados e entregaremos a Medalha Mário de Andrade para instituições e pessoas que foram importantes ao longo dos 80 anos do instituto. Haverá show, com Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo e a participação de manifestações culturais, como capoeira, maracatu, e outras.

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