01 de janeiro de 1970
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Vivendo a vida...

Por O Dia

Julio José Iglesias Puga de la Cueva, 73 anos, é encantador, espirituoso e um conquistador nato. O cantor espanhol investiu e mora na paradisíaca Punta Cana. A entrevista, por telefone, foi marcada bem cedinho. Quando perguntei se tinha o hábito de acordar cedo, mesmo em férias, respondeu: "Eu acordo às 6h da manhã, porque faço amor de 6h às 7h todos os dias. Assim, eu tenho inspiração para fazer ginástica. Estou vivo (risos)... Eu tenho um problema: gosto das mulheres bonitas e das feias. Gosto de todas". Como vocês sabem, Julio jogou futebol na adolescência, foi goleiro do Real Madrid. Mas um trágico acidente de carro o deixou entre a vida e a morte. Lutou para recuperar o movimento das pernas durante um ano e meio. Foi uma virada na vida com grandes mudanças. Acamado tanto tempo, começou a escrever e encantar as enfermeiras que o estimulavam e inspiravam para compor 'La vida sigue igual'. Com essa música, se descobriu intérprete, venceu o Festival Benidorm, no litoral espanhol, e foi contratado pela Columbia Records. Sucesso mundial, teve muitos amores, vários casamentos, e sua prole é grande. Orgulhoso, diz: "Tenho oito filhos de dois casamentos e todos são artistas. Os genes são uma maravilha. Meu filho Guilherme, de 9 anos, é maravilhoso. Você não pode imaginar, ele toca bateria como gente grande, com muita categoria. Veja no Instagram". O cantor madrilenho acaba de lançar o CD 'Dois corações', homenageando o Brasil. Os duetos com Paula Fernandes, Daniel, Bruno e Marrone e Zezé Di Camargo e Luciano são maravilhosos. O disco está nas plataformas digitais e nas lojas.

Qual sua primeira lembrança musical do Brasil?

Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Tom Jobim, Gilberto Gil, Caetano Veloso. Eu tenho muita afinidade com Roberto Carlos, e ele comigo, que nasce em nosso olhar, no sofrimento de quando éramos pequenos. Ambos tivemos acidentes graves, quando crianças. As pessoas que sofrem, quando não temos idade para sofrer, se tornam fortes. Roberto se fez mais forte e eu também. Acho que Roberto Carlos e eu somos irmãos na galáxia musical. Roberto é um apaixonado pela vida.

Quando você teve o acidente, achou que era o fim?

No princípio, eu não sentia nada, só via meus pais chorarem. A angústia era terrível. Passei os primeiros dias, depois da cirurgia, entre a vida e a morte. Sofri muito, achei que ia morrer. Minha vida durante um ano e meio foi um drama total. Tinha sondas por todos os lados. Eu vivia numa prisão de medo. Mas sempre tive uma resposta positiva, de meus pais e dos médicos, de que não morreria. Por isso, nunca perdi a esperança.

No CD 'Dois Corações', recém-lançado, você gravou com a Paula Fernandes, Zezé Di Camargo e Luciano, Daniel e Bruno e Marrone. Como foi?

Com Paula, gravei 'Amanheci em Teus Braços'. Cada um no seu estúdio, mas com um sentimento muito bonito, porque Paula Fernandes me encanta. Ela tem uma voz forte e é muito bonita. A música 'Dois Amigos', de Zezé Di Camargo, é maravilhosa. Gostei de gravar com ele e Luciano. Bruno e Marrone me encantam. Bruno canta como um anjo. Daniel me encanta também. Os duetos são encontros generosos de pessoas que pensam parecido. São mágicos.

Quando você vem ao Brasil?

Em 2018, vou fazer uma turnê mundial, que começa pela Finlândia, e quero continuar pelo mundo. Tenho tantos agradecimentos a fazer, as pessoas que acreditaram em mim, que me deram sua esperança e carinho. Quando você tem a oportunidade de cantar da Finlândia até a China, tem muito a agradecer. O agradecimento é universal.

Você é muito carismático e carinhoso com o público.

O carisma é um dom. Tem gente que está na televisão há séculos e ninguém conhece. Tem gente que aparece um dia e o mundo inteiro conhece. Tem gente que nasceu para fazer o gol e estar na hora certa, no lugar certo, como Neymar, Pelé, Cristiano ou Messi. Cantar bem não é tudo.

Você gosta muito de futebol. O que achou da ida do Neymar para o Paris Saint-Germain?

Fiquei muito contente, porque o Barcelona ficou sem um jogador fundamental, e o Real Madrid tem mais chances de ganhar do Barcelona (risos). Que os catalães não se chateiem comigo, porque eu gosto muito da Catalunha (risos).

Em suas viagens, você se preocupa com os atentados?

Não, não, não. Um atentado é grave, gravíssimo. Sofrem as famílias, sofre todo mundo, mas não se pode viver pensando que vão te matar. O direito à vida e à educação são prioritários em qualquer circunstância.

Como você se dedica à família?

Todo meu tempo livre eu dedico à família. E no tempo livre, quando não tenho ninguém ao meu lado, penso nas pessoas que gostam de mim e que me seguem.

Qual o recado para os fãs brasileiros?

Para essa gente encantadora, digo que a saudade está na minha alma depois que conheci o país. E obrigado por tantos anos de amor.