01 de janeiro de 1970
  • WhatsApp (21) 98762-8248

'Homem bom é sinônimo de idiota. Isso me incomoda'

Dan Stulbach defende Eugênio, que deixa de ser ingênuo em 'A Força do Querer'

Por BÁRBARA SARYNE

Se Eugênio (Dan Stulbach) era visto como bobo em 'A Força do Querer', a situação mudou. Após descobrir que a vilã Irene (Débora Falabella), sua amante, espera um filho seu, ele virou o jogo e deixou a cautela de sempre. "Eu fazia o tipo de interpretação contida. E agora o Eugênio vem com uma maneira diferente de demonstrar emoção. Ele não consegue mais guardar o que sente", explica Dan, que estabeleceu um marco para a mudança do personagem.

No capítulo em que recebeu o filho trans, Ivan (Carol Duarte), em seu escritório, o marido de Joyce (Maria Fernanda Cândido) não aguentou segurar o silêncio e desabafou, assumindo não saber lidar com tudo o que está acontecendo. Na sequência, chorou, emocionou o público e despertou uma ideia no próprio ator que o interpreta.

"O bom personagem é aquele que começa de um jeito e termina de outro. Essa cena, foi representativa para mim, me fez enxergar que a partir daí o Eugênio vai quebrar as amarras", conta Dan, que só teve ideia do resultado do trabalho após assistir ao capítulo na TV e receber centenas de mensagens. "Ele vai agir diferente com a Irene porque vai vê-la de outra maneira. Agora, tem mais raiva, mais volume", diz.

O ator acredita que o problema central da família de Eugênio é a falta de diálogo. E, embora entenda o motivo de seu personagem ser chamado de ingênuo pelos internautas, não concorda com o que dizem por aí. "É importante ver que ele não sabe de boa parte das coisas que acontecem. Ele tem uma mulher que não o estimula no trabalho, que nunca vai visitar no escritório, que acha tudo uma porcaria", afirma o ator. "Já a amante acha tudo maravilhoso, os dois têm um encontro sexual incrível. Isso é o que ele vê porque até agora não sabe que ela é uma psicopata", completa.

Cheio de camadas, Eugênio é compreensivo e um dos poucos dispostos a estender a mão a Ivan, que era tido como mulher até pouco tempo. "Ele é essencialmente bom. E o homem bom, no Brasil, é sinônimo de idiota. Isso é algo que me incomoda porque eu não quero um país de espertos. Acho que somos cobrados a ter uma certa malandragem e isso é injusto", defende.