01 de janeiro de 1970
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A vida aprendendo com a arte...

Por O Dia

Ela está no olho do furacão. Juliana Paiva vive Simone em 'A Força do Querer', da TV Globo, e convive com o drama e o dilema de personagens envolvidos com questões difíceis: o vício e a transexualidade. A coluna conversou com a atriz.

A novela debate temas muito complexos. Como você vê isso?

A Glória Perez tem essa característica de sempre pegar um tema mais polêmico para levantar as discussões. Por estarmos fazendo um trabalho como esse, muitas pessoas vêm falar a respeito, elas se identificam e escrevem nas redes sociais. Há muitas famílias que vivem isso dentro de casa. Os pais não falam a respeito, não aceitam. Mas eles estão assistindo a novela para entender. O papel social da novela nesse sentido é imenso.

Você ficou emocionada com a cena em que a Ivana (Carol Duarte) cortou o cabelo?

Acho que todo mundo ficou. Nós gravamos a cena do corte de cabelo no mesmo dia da cena em que ela conta sua escolha para a família. Então, foi uma carga muito grande. Ficamos muito tocados, até por conta do papel social da novela. Contar uma história dessas, com tanta delicadeza, nos toca. Essas duas cenas são momentos muito importantes para a trama. Era um ponto que carregava uma responsabilidade muito grande. Naturalmente, ficamos mexidas, mas o resultado foi a sensação de dever cumprido. É muito legal falar sobre a aceitação, de modo geral. O problema não está na adversidade e sim na falta de respeito. Então, acho que as pessoas devem respeitar mais.

Sua personagem tem também a preocupação com a mãe (Lilia Cabral). Que caminho você vê para isso?

A personagem da Lilia não enxerga que está viciada. Como a maioria das pessoas com esse problema, ela acha que tem o controle da situação, mas na verdade é o jogo que está controlando-a. É muito triste para uma filha ver a mãe assim. No relacionamento entre as duas, existe uma inversão de papéis. Parece que a Simone é a mãe da Silvana. Uma mãe jamais abre mão do filho. Então, a Simone também não abrirá mão da Silvana.

Qual o rumo que sua personagem tomará?

A Simone é um tipo de pessoa que não encontramos mais com facilidade - ela se doa para os outros. Eu acho que esse distanciamento entre as pessoas é resultado dessa era digital, quando a sociedade não se aprofunda em mais nada e quer tudo para ontem.

Você teria coragem de cortar o cabelo em cena?

Claro, faria, sim. Se nós estamos contando uma boa história, por que não? O lance da transformação da Ivana era fundamental para contar essa história. A Carol é uma baita atriz que descobriram. Ela está dando conta de um papel de muita responsabilidade. Estou muito feliz de trabalhar com ela.

Qual foi seu maior desafio na carreira?

Cada personagem traz um novo desafio. Quando chega o momento de construção do personagem e os primeiros dias de gravação, dá aquele frio da barriga. Mas na hora, flui. Uma parte surge com a pesquisa.

Conte uma novidade?

Eu rodei o filme 'Rúcula com Tomate Seco', com Arthur Vinciprova no elenco, que fez o texto também. É a história de um casal que namora um tempo e se separa. Anos após, rola um reencontro e os dois param no motel. Conversam sobre o passado, rola uma DR. Muitos casais vão se identificar. Deve estrear neste ano ou no início de 2018. Eu também participei do filme 'O Homem Perfeito', do diretor Marcus Baldini. É sobre um triângulo amoroso. Os personagens de Marco Luque (Rodrigo) e Luana Piovani (Diana) são casados há dez anos, mas não há admiração entre eles. E o Rodrigo se apaixona pela Mel, que interpreto. A Mel é uma bailarina contemporânea. A Diana cria um perfil falso no Facebook de um 'homem perfeito' para a Mel, tentando conquista-lá. Assim, o caminho ficaria livre para ela e o Rodrigo voltarem. A estreia está prevista para o primeiro semestre de 2018.

Qual o personagem dos seus sonhos?

Eu gostaria de fazer uma vilã. Eu acho que seria um superdesafio para mim. É uma face que ninguém viu. As pessoas acham muito que eu tenho cara de boazinha. Seria muito legal.

Quem são seus ídolos?

Neste momento, trabalho com dois, a Lilia Cabral e Humberto Martins. Eu tenho muitas pessoas que admiro. Tenho muita vontade de olhar nos olhos de vários atores em cena. Por exemplo, Laura Cardoso é meu sonho de avó. Queria fazer a neta dela em alguma novela ou coisa assim.

Qual seu sonho?

Ser feliz com as pessoas que eu amo e fazendo o que gosto.

Um beijo para quem?

Para todos que assistem à novela e mandam mensagens de apoio para a personagem tirar a mãe dessa. Um beijo também para a Glória e o Papinha (Rogério Gomes, diretor) por confiarem no meu trabalho. O Papinha é muito especial. Eu tenho um convívio com ele quando gravo com a Carol. Ele tem um carinho muito grande por quem está começando. Deixa o ator livre. A equipe dele carrega esse clima. Muito bom.