A história de Carolina de Jesus

Peça mostra como menina com pouco estudo virou uma escritora

Por O Dia

O espetáculo 'Carolina Maria de Jesus, Diário de Bitita', uma adaptação das obras 'Quarto de Despejo' e 'Diário de Bitita', da escritora mineira Carolina Maria de Jesus (1914-1977), estreia hoje no Teatro Dulcina, no centro. A peça, resultado de três anos de pesquisa e ensaios, é um solo da atriz Andreia Ribeiro, com texto e direção de Ramon Botelho, e conta a história da menina que estudou apenas dois anos do primário e se transformou numa grande escritora, traduzida para várias línguas em mais de 40 países.

"Sinto-me privilegiada pela oportunidade de interpretar essa mulher forte, admirável, talentosíssima, visionária", diz Andreia, que também é produtora do espetáculo. "Carolina foi um caso raro pelo espaço que ela ocupou, mesmo sendo negra, pobre e favelada. Todo o aprendizado dela é movido mais pela curiosidade do que pela oportunidade", esclarece.

Ramon salienta que, nos anos 1950, Carolina já tratava de temas importantes e atemporais. "Equidade de gênero e raça, inclusão social, a importância do estudo para a dignidade humana. Ela escrevia em cadernos encontrados no lixo e fez a casa onde morava com coisas encontradas. A história dela é comovente e inspiradora".

Para Andreia, recuperar a imagem e a obra da autora é fundamental para o país nos tempos atuais: "As pessoas têm que saber que uma figura de tamanha importância é uma autora brasileira".

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