Para arrematar o leilão

Compra pode ser até 40% mais barata. Mas requer cuidados

Por Cristiane Campos

Lazer do residencial Pedra do Vale, que está no leilão
Lazer do residencial Pedra do Vale, que está no leilão - Divulgação

A compra via leilão é uma alternativa econômica, com imóveis de bancos e construtoras, abaixo do valor de mercado. Especialistas afirmam que a economia pode ser de até 40%, com rentabilidade de 70%. Eduardo Consentino, leiloeiro da Biasi Leilões, conta que as pessoas pretendem morar no imóvel em 85% dos casos. "Percebemos uma grande mudança de perfil, com mais pessoas físicas comprando".

Como em toda negociação, o cliente deve ter cautela e pesquisar. Patricia Curvêlo, sócia da Investmais, empresa que presta assessoria na compra destas unidades, orienta o cliente desde a escolha do imóvel até a entrega das chaves. "O pagamento, na maioria das vezes, é à vista. Mas já é possível encontrar bancos financiando em até 420 vezes. Outra vantagem é que como são imóveis de leilões extrajudiciais, o cliente pode receber as chaves em até 180 dias, dependendo do processo", afirma.

Marcelo Valland, diretor operacional da Manheim no Brasil, que também comercializa unidades via leilão, comenta que a empresa faz vistoria detalhada dos imóveis, fornecendo detalhes e fotografias atualizadas. "É possível dar lances online e enviar propostas pelo site, o que traz maior praticidade para os compradores, ou nos eventos presenciais", destaca. A empresa, em parceria com a Rodobens, está com mais de 390 imóveis, entre apartamentos, casas e lotes, com valores até 25% mais baixos. Cerca de 60% são lançamentos.

Para fazer um bom negócio, Sergio Sender, advogado especializado em Direito Imobiliário, recomenda ler com calma o edital de leilão. "Nele, estarão todas as informações sobre o imóvel e forma de pagamento", diz. Antonio Ricardo Correa, consultor do escritório Eduardo Biondi Advogados Associados, diz, ainda, que no edital constam informações sobre possíveis dívidas ou disputas judiciais. "Analise as certidões do processo para saber se há alguma disputa judicial, pois quem compra para morar às vezes tem pressa. E sempre visite o imóvel, para saber se está ocupado ou vazio", orienta.

Carta de consórcio

Quem tem carta de crédito de consórcio imobiliário pode usá-la para adquirir o bem via leilão. Rogério Pereira, diretor Comercial do Embracon Consórcios, alerta para a importância de ler sobre a regra envolvendo o FGTS.

"Apesar de o FGTS poder ser utilizado para a compra da casa própria, no caso dos leilões é necessário verificar no edital se o saldo pode ser utilizado para complementar a carta de crédito". O diretor lembra, ainda, que há outros custos na negociação. "A pessoa que adquirir um imóvel também deve arcar com taxas de serviços, despesas de cartório e leiloeiro", avisa.

CUIDADOS NA NEGOCIAÇÃO

Visite o imóvel: Olhe os detalhes, veja se é mesmo o que você procura. Você não poderá devolver o imóvel caso ele apresente um problema não detectado antes da compra

Verifique processos judiciais e dê preferência para imóveis desocupados: Muito continuam ocupados porque seus antigos proprietários brigam judicialmente contra a ordem de leilão. Em alguns casos, com liminares que os protegem da desocupação. Assim, o processo fica mais demorado e oneroso

Verifique possíveis dívidas e antigos proprietários: INSS, IPTU, dívidas de condomínio e possíveis ações contra antigos proprietários que envolvam o imóvel. Consulte um advogado para ver quais custos são por sua conta

Leia o edital inteiro: Esclareça dúvidas com um advogado. Preste atenção nas condições de venda, forma de pagamento, preço mínimo. Confirme se você quer e pode participar do leilão. Desistências podem ser punidas

Avalie o imóvel: Antes do lance, converse com um corretor de imóveis para verificar se, na localidade em que está, com a estrutura que tem, o imóvel vale o custo pedido.

As dicas foram elaboradas

pela Embracon

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Rogério Pereira: carta de consórcio pode ser usada no leilão Fotos: Divulgação
Lazer do residencial Pedra do Vale, que está no leilão Divulgação
Patricia Curvêlo, da Investmais: 'O pagamento, na maioria das vezes, é à vista. Mas já é possível encontrar bancos financiando em até 420 vezes' Divulgação

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