Para quem quer curtir a vida muito além dos 50, os dados, felizmente, são favoráveis: de acordo com o IBGE, entre 1940 e 2015, a esperança de vida no Brasil deu um salto de 30 anos — de 45,5 para 75,5 anos

Por O Dia

Rio - A vida do casal Bernardo e Regina Fejgiel é de tirar o fôlego dos mais sedentários: sempre acordam cedo, frequentam academia e fazem exercícios em casa e na praia. A alimentação também é saudável, sem exageros, evitando frituras, trocando o refrigerante por suco natural e lembrando da salada todo dia. Em viagens, quase sempre para destinos cheios de natureza, preferem o turismo com longos passeios e caminhadas, trilhas e atividades ao ar livre. Nos dias de folga e finais de semana, sempre saem para jantar e frequentam assiduamente os eventos da agenda cultural carioca. A idade não é barreira para manter o estilo de vida saudável: ele, que é educador físico, tem 51 anos; ela, administradora, 53. 

Moacyr Henriques, 50 anos, é apaixonado pelo surfearquivo pessoal

Superando pequenos problemas de saúde, o casal fez questão de adaptar a rotina de exercícios para não ficar parado. “A chegada deles aos 50 foi muito natural, nem sentiram a idade passando. Não parecem cansados, têm muita energia, e ainda pegam no meu pé para eu acompanhar os dois nas atividades físicas”, brincou Raquel, a filha, que é assessora de comunicação na área de moda. “Somos uma família elétrica, as pessoas até se assustam. Não consigo me ver parada, estar em atividade ajuda em tudo”, contou Regina. “Hoje temos tanta informação, não tem por que não cuidar da saúde”, concordou Bernardo, que garante que as avaliações médicas só melhoram a cada ano.

ALEGRIA DE VIVER

A esteticista Fátima Soares, 49, já planeja ansiosamente seu próximo aniversário, em março. Quer dar um festão para a virada dos 50, e garante: “Não vai ter crise! Não tive crise dos 30, 40, nem vou ter dos 50. Não estou sentindo essa idade, mas nunca tive vergonha de dizer quantos anos tenho, e não me privo de nada”. Uns poucos comentários maldosos não são sufi cientes para abrir mão dos longos cabelos negros ou do estilo de se vestir: “Os cabeleireiros dizem que depois dos 40 tem que ter cabelo curto. Algumas pessoas também dizem coisas como ‘Usando brinco de argola? Mas você já tem quase 50!’. Não adianta, eu uso o que eu gosto. A idade trouxe essa segurança, a opinião do outro não me afeta”, defendeu ela. “Com alegria de viver, posso estar jovem até depois dos 60”, completou.

A Esteticista Fátima Soares corre pela manhã na areia da praia de CopacabanaEstefan Radovicz/ Agência O DIA

É o mesmo caso da atriz Edvana Carvalho, também 49, conhecida por sua atuação em “Ó Paí, Ó” e que agora interpreta Dulcina, mãe da protagonista vivida por Nanda Costa na novela global “Pega Pega”. Na trama, sua personagem é enganada pelo marido Aníbal (Edmilson Barros), que finge ser doente para não trabalhar e passa os dias paquerando outras mulheres. Na vida real é outra história: “Sou solteira e feliz, ter alguém é um complemento e não uma necessidade”. 

Ela contou que pretende festejar a chegada dos 50, em maio do ano que vem: “Quero viajar, gosto de me divertir”, que cuida do corpo com exercícios e dieta, mas livre de neuroses. “Uma amiga já recomendou que eu Cinquentões provam que idade não é barreira para manter estilo de vida saudável não tomasse sol para não manchar a pele. Falei: ‘Amiga, prefi ro ser uma velha manchada, mas que curtiu todas as praias. Pra quê que eu quero ser uma velha sem mancha?’, brincou. Ela também afirma que não se limita com base na idade: “Visto o que me faz sentir bem, no camarote ou no Carnaval posso usar uma minissaia ou um salto porque tenho pernas incríveis, no dia a dia prefi ro o conforto. Minhas amigas brincam que sou uma “vovó-guete”, vovó piriguete, e sou mesmo, com toda a honra”, disse ela, que é mãe de Luana, 25, David, 21, e avó de Lorenzo, de 1 ano.

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Para quem quer curtir a vida muito além dos 50, os dados, felizmente, são favoráveis: de acordo com o IBGE, entre 1940 e 2015, a esperança de vida no Brasil deu um salto de 30 anos — de 45,5 para 75,5 anos. Em algumas regiões do país, o número chega a 85,5 anos. Para o fonoaudiólogo Moacyr Henriques, os 50 anos celebrados no último dia 23 são só o início do caminho: “Continuo no meu ritmo até quando a vida permitir”, disse ele, que pratica esportes desde criança e é apaixonado por surfe.

“Nunca fumei nem bebi, acordo cedo, aproveito meu dia com a família, viajo com os amigos e sou completamente apaixonado pela minha esposa. Quero continuar fazendo o que eu faço ainda por muito tempo. Não defi ni nenhum limite”, garantiu. 

Em busca do tempo perdido

Para a psicóloga Mary Scabora, é natural que os padrões de comportamento de cada idade mudem com o passar do tempo. "Pessoas na chamada 'meia idade' tinham aspecto de senhores ou senhoras, hoje a maioria das pessoas com 50 anos não se sente com essa idade, embora elas não sejam mais tão jovens. Têm acesso à tecnologia, à informação, estão antenadas no que acontece no mundo e estão buscando seu bem-estar", explicou. "Sempre é tempo de fazer planos para o futuro e muitas pessoas nesta fase da vida estão ainda mais ativas, cheias de energia. E aproveitam para começar atividades que não tiveram tempo de fazer na juventude", completou.

Reportagem da estagiária Nadedja Calado, sob supervisão de Jorge Jreissati

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