Fazem isso tudo como se fosse natural para o ser humano dar conta de tantas demandas simultâneas

Por O Dia

Rio - Você consegue ler este texto? Qual é a sua capacidade de concentração? Você já mediu a sua capacidade de concentração? Trinta minutos? Quem sabe 15? Muito tempo? O último estudo divulgado sobre este tema afirma que a atenção dos seres humanos, em uma década, caiu de 12 para oito — isso mesmo, oito — segundos.

A pesquisa foi realizada em 2013, pela Microsoft, no Canadá. Se é verdade, você, talvez, nem esteja mais lendo este texto.

Para aqueles que conseguiram continuar, prossigo. O levantamento afirma que o mundo tecnológico é o responsável por esta diminuição e traz outro dado que já identificamos no nosso cotidiano: quando algo não atrai os jovens, não desperta interesse, eles correm para o celular. Na verdade, acho que isso acontece não apenas com os jovens, mas com qualquer faixa etária. Inclusive estamos ‘adestrando’ os bebês neste sentido, não é mesmo? 

Para quem não está a par, carrinhos de bebê já são vendidos com suportes para tablets! Neste século 21, a comunicação com e entre os seres humanos está, sem dúvida alguma, mais complexa, fragmentada e, principalmente, mediada pela tecnologia. Não é à toa que as plataformas Twitter, Instagram e Snapchat, só para citar algumas, fazem tanto sucesso e estão presentes no dia a dia da sociedade.

Não sei ao certo se o limite da capacidade de concentração são oito segundos. Mas tenho certeza de que ela vem acompanhada por uma brutal falta de paciência e de respeito para com o outro.

Talvez, devêssemos ensinar e compartilhar estas antigas e nobres virtudes. Nos tornamos seres objetivos e instantâneos que não conseguem focar, esperar, manter um diálogo.

Ao passar um trabalho em sala de aula, por exemplo, muitos estudantes querem fazer o exercício no computador no mesmo instante em que assistam a um vídeo e escutam uma música.

Fazem isso tudo como se fosse natural para o ser humano dar conta de tantas demandas simultâneas. 

A ideia de uma geração multitarefa não vingou. Afinal, não está no nosso DNA. Sinceramente, não sei quais serão os desdobramentos desta realidade — avassaladora — no curto e médio prazos. O que podemos fazer é chamar a atenção das crianças e dos jovens — e de nós mesmos — a respeito desta roda-vida em que vivemos.


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