Ultradireita alemã racha um dia após êxito na urna

Copresidente da Alternativa para a Alemanha avisa que não assumirá a cadeira

Por O Dia

Um dia depois do espetacular resultado nas eleições legislativas, o partido da direita nacionalista Alternativa para a Alemanha (AfD) não resistiu a divisões internas. A copresidente do partido, Frauke Petry, surpreendeu ao anunciar ontem, diante do olhar incrédulo das demais lideranças do partido, que havia decidido não ocupar sua cadeira na bancada parlamentar. Depois de comunicar a notícia, levantou-se e deixou a sala. A outra líder do partido, Alice Weidel, exigiu sua saída imediata para que "não cause mais danos" à AfD.

Petry não disse se será a única a renunciar ou se levará parte dos 90 deputados da AfD que entrarão no Bundestag, depois de a sigla ter ficado em terceiro lugar nas eleições legislativas de domingo (24), com 12,6% dos votos.

A tensão era palpável nas últimas semanas. Petry já havia criticado as palavras de outro importante puxador de votos da legenda, Alexander Gauland, de 76 anos. Segundo ele, os alemães têm o direito de "estarem orgulhosos da atuação dos soldados alemães na Segunda Guerra". No domingo, ele voltou a polemizar, afirmando que o partido saía "para caçar" Angela Merkel.

Enfraquecida desde um congresso do partido em abril, Petry vinha criticando, há semanas, a radicalização do movimento que multiplicou as declarações virulentas contra imigrantes e muçulmanos. Petry acredita que a sigla corre o risco de assustar seu eleitorado menos radical, os ex-simpatizantes do partido conservador de Merkel, o qual pode operar uma virada para a direita em sua próxima legislatura. Com isso, tentaria conter a sangria, recuperando os eleitores perdidos quase um milhão para a AfD.

"Vamos lutar", prometeu a chanceler ontem. "A melhor maneira é solucionar os problemas que afetam a gente quando aparecem." Seu partido, a União Democrata Cristã (CDU), e seu aliado bávaro (CSU) ganharam as eleições com 33% dos votos, resultado historicamente baixo.

A chanceler se considera, em parte, responsável pela ascensão da AfD, não apenas por sua decisão de abrir as fronteiras para milhares de imigrantes, mas também por sua política centrista que confunde seus simpatizantes. "Os eleitores da AfD são conservadores, burgueses. Apenas 2% são nazistas", diz o analista político Timo Lochocki.

Merkel precisa aparar as arestas para formar maioria, uma vez que seus prováveis aliados, o Partido Verde e o FDP, têm várias divergências.

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