Farinha do mesmo saco

Por Roberto Muylaert Editor e jornalista

A charge é boa e define bem o momento que o Brasil vive: uma faxineira de vassoura na mão está no apartamento do bairro da Graça, em Salvador, do inefável Geddel, Vieira Lima em meio àquelas dez malas repletas de dinheiro, provável produto de alguns anos de militância criminal de uma quadrilha chefiada pelo patrão sob o olhar beneplácito e interessado de Michel Temer. A faxineira fala ao celular com o empregador, a quem pergunta, inocente: "Seu Geddel, de qual mala eu retiro meus R$ 140 da faxina?".

Se o Brasil já é um país desigual por natureza, imagine essa quadrilha no governo, tirando dinheiro de todo lado. São pessoas como Geddel, gordinhos, bem-nutridos, papada debaixo do pescoço, coisa de quem come e bebe do bom e do melhor.

O nome desses comparsas quadrilheiros está em todos os jornais e revistas, sem que haja nenhum desconhecido, do mundo do crime.

Começando pelo braço direito de Geddel, o advogado Gustavo Ferraz, filmado pelo circuito de segurança do edifício entrando e saindo 12 vezes com mochilas e malas. Ele confessou ter sido encarregado por Geddel de coletar quantias de dinheiro vivo em São Paulo, que lhes eram entregues por um assessor de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, preso desde o ano passado.

Mas o que aflige o cidadão comum é que, por mais que surjam acusações confirmadas e confessadas, não se vê essas pessoas serem presas, graças ao 'foro privilegiado', pensado para que os parlamentares não tenham ameaças ao tomar atitudes pensando no bem da Nação. Acontece que eles não pensam por um minuto no país, e usam esse privilégio para encobrir safadezas.

Experimente sacar R$ 10 mil em dinheiro do seu banco, e não R$ 51 milhões como é o caso de Geddel e sua turma. O banco vai ter de enviar para o Banco Central seu nome e CPF, para que as autoridades possam avaliar o grau de risco que você oferece às finanças da Nação.

Nós já deixamos de ser ridículos como país, agora passamos para o campo da pantomima, do ilícito geral, e do "dane-se a Nação" dito pelos canalhas que nós elegemos (?) para tomar conta dela.

Nem se diga que o PT de Lula e sua outra quadrilha sejam melhores. Nada disso, são farinha do mesmo saco.

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Roberto Muylaert, colunista do DIA Divulgação

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