Dedo de Deus

Por Breno Freitas Assessor parlamentar

O Brasil é hoje um país com grande parte da população vivendo nas áreas urbanas. É importante destacar que os processos de industrialização e de urbanização daqui estão intimamente ligados. A indústria no país sempre foi instalada em locais onde já se encontravam infraestrutura, oferta de mão de obra, mercado e garantias de distribuição de sua produção. Isso faz com que as cidades maiores e bem estruturadas consigam atrair mais investimentos, estabelecer parques industriais e avançar na urbanização.

Essa lógica sempre foi ameaçada pela frágil estrutura das cidades. No ano passado, mais de 60% das prefeituras terminaram o ano no vermelho, segundo a Confederação Nacional dos Municípios. No Estado do Rio, abalado pela crise econômica e de gestão, o quadro ficou muito mais grave, colocando em risco a presença de milhares de postos de trabalho.

Minha cidade, Teresópolis, é exemplo clássico desse esvaziamento: seis prefeitos em sete anos, processos de impedimento de dois prefeitos e afastamentos e brigas políticas sem fim. Fundo de pensão dos servidores usado indevidamente, incapacidade da gestão municipal em enfrentar crises, agravadas pelas tragédias naturais.

A cidade perdeu nos últimos 15 anos grandes indústrias e centenas de empregos. Hoje tem porcentagem altíssima da população ativa dependendo da máquina pública que não funciona. Quem quer iniciar um negócio em um lugar onde as autoridades saem e entram acusadas de corrupção, onde o funcionalismo não recebe em dia e por isso mesmo os serviços como licenciamento e alvarás podem se alongar ou atrasar?

Quem poderá confiar em investir em um lugar sem estrutura e tanta insensibilidade e atenção por parte do setor público? Teresópolis é exemplo de como a política municipal que deveria ser um conjunto de ações para estimular a qualidade de vida e a geração de empregos se tornou um empecilho. O comerciante ou empresário da cidade sofre com a desordem.

Sem arrumar o setor público, organizar as finanças, sanear e eliminar os sistemas de corrupção e planejar o crescimento será impossível superar a crise dos municípios. Teresópolis pode ser exemplo ruim hoje, mas também e por isso mesmo desafio para se destacar como o oposto. A cidade que visualiza o Dedo de Deus tem chance histórica de apontar para o país, uma solução para a crise dos municípios.

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Breno Freitas, colunista do DIA Divulgação
Breno Freitas, assessor parlamentar e colunista do DIA Divulgação

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