Número de desaparecidos é maior agora

Por O Dia

O promotor Luiz Antônio Ayres, que atua em Santa Cruz, afirma que as milícias mudaram a forma de matar nesses 10 anos. "No início, eles deixavam os mortos pela rua, como uma forma de recado. Isso deixava rastros para investigação. Agora, desaparecem com os corpos", disse. A mudança de tática acarretou no aumento de número de pessoas desaparecidas. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública (ISP), o Rio tem mais de 33 mil desaparecidos, desde 2002. Desse total, as delegacias da Zona Oeste lideram o ranking no estado. "O bairro de Santa Cruz possui o maior número de desaparecidos se levarmos em conta a área territorial", disse Ayres.

Somente pelos casos registrados, a delegacia aparece em segundo lugar, com 2.365 desaparecimentos desde 2002 até abril deste ano. O bairro de Campo Grande, que tem liderança da milícia do ex-PM Ricardo Teixeira, o Batman, possui 3.088 casos no mesmo período.

Segundo o promotor, o grupo de Ecko tem aliança com traficantes do Terceiro Comando Puro. "Eles deixam os traficantes atuarem na favela, com a venda livre de drogas. Mas, querem uma parte do lucro", disse.

O promotor acredita que o número de servidores públicos presos por suposta participação com as milícias tenha diminuído, pois, os policiais militares, por exemplo, estariam atuando de forma mais reservada. "O que mudou nesses 10 anos é a forma de comandar as milícias. Aumentou a repressão da corregedoria e do Ministério Público. Então, os policiais que querem se envolver com essa atividade coordenam de forma mais velada". Ayres citou que recentemente em um enterro de um policial, familiares foram com blusas do personagem de quadrinhos Batman, em alusão ao apelido do miliciano de Campo Grande. "São indícios que apontam a participação de policiais da ativa nesses grupos".

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