Trânsito: o caos nosso de cada dia

Rio tem pior tráfego de toda a América Latina. Para especialistas, faltam disciplina e fiscalização

Por WILSON AQUINO

Todas as tardes, ambulantes com seus isopores carregados de garrafas de água começam a se posicionar às margens das vias de grande movimento de Norte a Sul da cidade. Assim, como todos os que moram no Rio, os camelôs sabem que, dentro de poucos minutos, aquelas artérias pulsantes,com carros em constante movimento, vão entupir, transformando pistas de rolamento em uma barafunda de buzinas, cheiro de gasolina e gritos de "Olha a água!". E a única coisa que segue é a rotina do trânsito caótico, comprometendo o caminho e a vida das pessoas.

"Congestionamento não depende só do números de carros", explica o professor de Engenharia de Transportes da Coppe/UFRJ, Ronaldo Balassiano. A desorganização, a falta de disciplina e o mau comportamento dos motoristas estão entre as principais causas do caos. "Em São Paulo, não se vê o camarada mudando de faixa toda hora para ultrapassar. Lá, ele não tranca o cruzamento. São Paulo tem taxa de motorização maior do que a nossa, mas acaba fluindo melhor", afirma Balassiano.

O professor elenca algumas das causas que contribuem para o trânsito carioca ser tão ruim. "Temos o mau comportamento do motorista, que quer passar a frente do outro, o que não resolve nada, porque a via é a mesma e isso é ruim para a fluidez do tráfego. Temos o carro que não estaciona no lugar certo, o ônibus que não pára no ponto, mesmo tendo um recuo exclusivo para isso e nas horas de grande congestionamento, você não vê nenhum controlador de tráfego. Todo mundo sabe onde estão os problemas, falta estratégia", afirma.

FORA DO CÓDIGO

O presidente da Comissão de Trânsito da OAB-RJ, Armando de Souza, diz que o caos se instalou nas ruas do Rio porque as autoridades perderam de vista o objetivo do Código de Trânsito, que prevê um tráfego seguro e confortável. "A engenharia de trânsito não está em consonância com a legislação", reclama Souza, para quem, no caso do Rio, há mais interesse na arrecadação do que na educação. "Quando se educa, a coisa funciona. Veja como as campanhas para uso do cinto surtiram efeito", afirma Souza. Segundo dados do Detran, entre janeiro e julho deste ano 1.8 milhão de infrações de trânsito foram registradas nas ruas do município do Rio de Janeiro, que tem uma frota de 2,6 milhões de veículos. Ou seja, a aplicação de multas não é suficiente para inibir a bagunça no trânsito carioca.

Galeria de Fotos

Engarrafamento: Motoristas e passageiros enfrentam grande retenção na Avenida Borges de Medeiros Estefan Radovicz / Agência O Dia
Na Presidente Vargas, ônibus e táxis disputam a faixa com pedestres. Carro faz bandalha com sinal fechado Maíra Coelho / Agência O Dia

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