Ataque com faca agita a comunidade

Moradores temem volta da 'guerra' na Rocinha, enquanto Polícia Militar anuncia reforço de 500 homens

Por JONATHAN FERREIRA

A saída das Forças Armadas do entorno da Rocinha, na Zona Sul, dividiu as opiniões dos moradores sobre o que poderia acontecer na comunidade, mesmo com o anúncio de que o patrulhamento passará a ser feito com 500 homens da Polícia Militar. Alguns contaram que, já na quinta-feira, véspera da retirada, haviam recebido mensagens, via WhatsApp, informando sobre um suposto toque de recolher imposto por bandidos. "Voltamos à estaca zero. Agora, as autoridades vão saber o que é guerra. Recebemos uma mensagem dizendo que tínhamos que estar em casa antes das 17h", contou ontem um morador, que saiu mais cedo do trabalho, na Zona Norte, para conseguir chegar em casa.

Já um auxiliar administrativo, que mora na comunidade há 36 anos, afirmou que, com a saída das Forças Armadas, a vida voltaria ao normal. "Eles estavam deixando os moradores apreensivos. Tínhamos medo deles revirarem tudo nas nossas casas, como se fôssemos bandidos", disse.

Enquanto as Forças Armadas deixavam a Rocinha, às 7h30 de ontem, a Coordenadoria de Recursos Especiais (CORE) da Polícia Civil, os Batalhões de Operações Policiais Especiais (Bope), de Ações com Cães (BAC) e do Choque entravam na comunidade para checar uma denúncia de que um arsenal com armas de grosso calibre estaria escondido em uma casa na localidade conhecida como Vila Verde, no alto da favela, e seria do traficante Rogério Avelino Silva, o Rogério 157. No entanto, os policiais encontraram apenas pichações intimidadoras, indicando que o bandido teria deixado a facção Amigos dos Amigos (ADA) e se juntado ao Comando Vermelho (CV). "É o bicho, 157... CV", diziam uma das pichações.

Ao longo do dia, não foram ouvidos tiros. Escolas, UPAs, Clínicas da Família e o comércio funcionaram normalmente. Mas, antes, de madrugada, um suspeito, identificado como Wilian Lopes de Oliveira, de 22 anos, havia sido morto em uma troca de tiros com policiais do Batalhão de Choque. Ele estava com uma pistola, carregador com 24 projéteis, R$ 72 e um celular.

Galeria de Fotos

Depois da saída do exército,o patrulhamento na Favela da Rocinha ficou a cargo das policias Civil e Militar e os moradores retomaram as suas rotinas.Um desentendimento marcou esta sexta feira. Um homem foi preso(na foto com camisa vermelha),FabrÍcio Costa Manhães depois de esfaquear um jovem, supostamente envolvido com o traficante nem. o filho desse homem, teria envolvimento com o bandido Rogério157. Estefan Radovicz/agência O DiA.
Roberto Sá: reforços na Rocinha Maíra Coelho / Agência O Dia
Fabrício Manhães é escoltado por PMs, depois de escapar de linchamento por esfaquear jovem no 'Valão' Estefan Radovicz/agência O DiA.
A tropa deixou cartazes agradecendo a colaboração da população Estefan Radovicz/agência O Dia
O policiamento na Rocinha foi reforçado ontem com policiais militares do Batalhão de Choque e do Batalhão de Operações Especiais Estefan Radovicz/agência O DiA.

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