Desenvolvido em laboratório, o motor criado pelos pesquisadores é um três cilindros 1.0 litro
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Desenvolvido em laboratório, o motor criado pelos pesquisadores é um três cilindros 1.0 litro fotos Divulgação
Por LEANDRO EIRÓ

Já imaginou um motor a etanol rendendo como um a gasolina? Isso já é realidade. Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), coordenados pelo professor e engenheiro mecânico José Guilherme Coelho Baêta, desenvolveram a tecnologia, composta por uma câmara de combustão mais eficiente para o combustível, o principal da matriz energética brasileira.

Quando estiver no mercado, o benefício não será apenas econômico. Também terá importância ambiental. "Devemos olhar para o ciclo completo da tecnologia para ver o quanto ela é sustentável. A produção das baterias de lítio para veículos elétricos geram emissão de grande quantidade de CO2 na atmosfera. A nossa matriz energética (o etanol) é muito mais limpa do que outras pelo mundo", defende Baêta. O professor também vê na sua câmara de combustão um rumo para a tão questionada autossuficiência na produção de combustíveis. "Precisamos mudar essa postura de seguir pagando por tecnologias importadas, que foram desenvolvidas para os seus países de origem, já que temos a nossa própria base energética", completa.

Desenvolvido em laboratório, o motor criado pelos pesquisadores é um três cilindros 1.0 litro de, creiam, 185 cv, queimando apenas etanol. Comparado com outros propulsores do mercado, o ganho em eficiência atinge 43%, segundo Baêta. O professor ainda destaca que a otimização de componentes tornou a unidade mais leve, o que pode gerar economia no sistema de suspensão dos carros, por exemplo, sem contar que tal potência pode equipar automóveis até então incompatíveis com esta cilindrada. "Imagine um SUV, uma van, com um motor 1.0, o nosso motor tem força para movimentar veículos deste tipo", exemplifica.

O estudo também acaba, segundo enfatiza o engenheiro, com o conceito de que o etanol consome 30% a mais se comprado com a gasolina. "O etanol sempre superou a gasolina em termos de eficiência energética. A novidade aqui é a paridade de consumo de combustível", explica Baêta.

Desde 2003, ele trabalha no desenvolvimento de soluções para o combustível vegetal. Com sua equipe na UFMG, começaram os testes em uma unidade monocilíndrica e depois inseriram a câmara de combustão em um propulsor multicilíndrico utilizado no mercado. "Agora, queremos ver um carro rodando com a nossa tecnologia", comenta.

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