01 de janeiro de 1970
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Rede de solidariedade na região e na web

Por O Dia

Pelo Facebook, moradores de Montes Claros, a duas horas de distância de Janaúba, estão se oferecendo para dar abrigo, banho e alimentação para pais de crianças que tiveram de viajar para acompanham o atendimento aos filhos.

"A psicóloga da prefeitura me ligou e avisou que pelo menos uma mãe de uma das crianças já vai vir aqui para casa", disse a cozinheira Edisa Rosa de Andrade, 40 anos, uma das voluntárias. "As pessoas estão começando a chegar. Minha casa fica a 10 minutos de distância da Santa Casa. Quando soubemos da tragédia, a gente se ofereceu para dar alguma ajuda para quem vier acompanhar os filhos", afirmou. Sua irmã, Darciza de Rosa Andrade, de 46, também é uma das voluntárias.

Nas redes sociais, a Prefeitura de Janaúba pede doações de luvas de procedimento, jalecos e medicamentos, como morfina e dipirona injetável. O Corpo de Bombeiros também está recebendo donativos para os hospitais.

O governador de Minas, Fernando Pimentel, divulgou nota em que afirma que "todo o dispositivo médico necessário para o socorro das vítimas já foi acionado".

Horror em creche em Minas

A loucura consumiu o vigia noturno Damião Soares dos Santos, de 50 anos, e acabou com a vida de quatro crianças de 4 anos da creche Gente Inocente, em Janaúba, no norte de Minas Gerais. O incêndio, criminoso e premeditado, chocou o país. O presidente Michel Temer considerou o episódio "uma tragédia", e a prefeitura decretou sete dias de luto. Cinquenta pessoas saíram feridas. O autor morreu cinco horas depois.

Passava das 9h quando Damião chegou à escola, onde trabalhava havia oito anos e da qual pedira afastamento no fim do mês passado, alegando problemas de saúde. Era para o vigia entregar um suposto atestado ontem, mas o que se seguiu na Gente Inocente foi uma cena de horror.

O delegado Bruno Fernandes Barbosa afirmou que, pelo que a perícia pôde constatar, Damião trancou as portas de três salas, jogou álcool nas crianças e nele mesmo e tacou fogo. O homem teria ainda segurado as crianças, impedindo que saíssem. Uma professora chegou a lutar com Damião e foi ferida com gravidade.

O delegado disse ao 'G1', após entrevistar parentes do vigia, que desde 2014 ele apresentava "sinais de loucura". "Ele alegava que a mãe dele envenenava a água e que isso estava trazendo problemas", disse Bruno Barbosa.

Ainda segundo informações da família à polícia, Damião estava sem trabalhar há oito dias nem dava notícias à escola; por isso, a diretora da creche pediu que ele levasse um atestado médico. "Damião disse que não precisava se preocupar com ele, porque ele era um sujeito sozinho. Ele chegou na creche, de mochila, nem tirou o capacete, fechou as portas e já ateou fogo em uma funcionária que estava na cozinha", conta o delegado.

Premeditação

"Tenho plena convicção de que o crime foi premeditado. Damião escolheu o 5 de outubro, data da morte do pai, que faleceu há três anos", disse o delegado. Na casa dele, a polícia encontrou cartas nas quais Damião dizia ter afeto por crianças. "Nos últimos dias, disse a uma sobrinha que iria dar um presente para a família, que iria morrer", conta Barbosa.

No Twitter, o presidente Michel Temer lamentou a tragédia. "Quero expressar a minha solidariedade às famílias. Eu que sou pai imagino que esta deve ser uma perda muitíssimo dolorosa. Esperamos que essas coisas não se repitam no Brasil", escreveu.