01 de janeiro de 1970
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Morre outra criança em Minas

Presidente Temer manda liberar verba para reconstruir creche; irmã de vigia desabafa

Por O Dia

O segurança Damião Soares dos Santos, 50, que ateou incêndio em creche em Janaúba, Minas Gerais
O segurança Damião Soares dos Santos, 50, que ateou incêndio em creche em Janaúba, Minas Gerais - Reprodução do Facebook

Mais uma criança vítima do ataque à creche Gente Inocente morreu na madrugada de ontem. Mateus Felipe Rocha Santos tinha 5 anos e estava internado desde o ataque, quinta-feira. O total de mortos já chega a 11 nove crianças, a professora e o criminoso. O presidente Michel Temer determinou a liberação de recursos para a reconstrução da unidade, e o Ministério da Saúde enviará equipamentos ao Hospital de Pronto-Socorro João XXIII, referência no tratamento de queimados, que recebeu os feridos no incêndio que chocou o país.

Valéria Aparecida Borges, de 28 anos, funcionária da creche, e Elton Batista de Oliveira, 50 anos, vizinho da escola, que ajudaram no resgate às vítimas do incêndio na creche, foram internados domingo, por inalação de gases. Ambos estão no Centro de Terapia Intensiva, mas com previsão de serem transferidos para quartos. Outras 23 pessoas ainda estão internadas, sendo 19 crianças e quatro adultos.

A professora Simone Soares dos Santos, irmã do vigia noturno Damião Soares dos Santos, de 50 anos, resume o sofrimento que a família tem passado desde que o irmão ateou fogo à creche. "Eu só queria pedir que a sociedade entenda que nós sofremos muito e também somos vítimas. Não temos culpa pelo que ele fez, também estamos sentindo a dor dessas famílias." Segundo a irmã, Damião passou por problemas pessoais após deixar a casa da família. "Uma namorada ficou grávida, mas de outro homem. Ele nunca casou ou teve filhos", detalhou.

O vigilante Damião apresentava histórico de loucura. Em 2014, ele procurou a Promotoria em Janaúba para denunciar a própria mãe, que, segundo ele, tentava envenená-lo pela comida. Sem nada que indicasse verdade na acusação, ele foi encaminhado ao Caps (Centro de Atenção Psicossocial), mas não há nenhum registro de que tenha se tratado.

Dor em cidade pequena

Com medo de represálias, Damião foi enterrado sem nenhum familiar presente na cerimônia. "As pessoas de longe vão querer crucificar a gente, vão dizer que 'a irmã tá defendendo um monstro'", lamentou Simone.

A cidade pequena fazia todos se conhecerem. "Conhecíamos todo mundo", diz a irmã. "A mãe dessa menininha que morreu, eu costurava para ela", afirma, sobre a pequena Talita, que morreu na manhã de sábado. "São pessoas humildes, também. Por isso o sofrimento é maior. Minha nora, ontem, estava no velório do primo. Enquanto isso, o meu filho, casado com ela, estava pegando as coisas do tio. É tanta dor, gente, tanta dor dos dois lados."