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Quinze dias depois de o Brasil chorar a tragédia de Janaúba, onde nove crianças morreram em incêndio criminoso, outro ataque dentro de escola voltou a estarrecer o país. Desta vez, pelas mãos de um adolescente de 14 anos, que usou a arma da mãe, policial, para abrir fogo na própria sala de aula, deixando ao menos dois mortos e quatro feridos. Segundo a Polícia Civil, o atirador é aluno do 8º ano do Colégio Goyazes. Os estudantes João Vitor Gomes e João Pedro Calembo morreram na hora. Três meninas e um menino, com idades de 12 e 13 anos, foram feridos; uma deles corre risco de vida. Relatos de colegas afirmam que o jovem, apreendido, sofria bullying.

A polícia ainda não sabe como o estudante teve acesso à arma. Ele levou a pistola .40 ao colégio dentro de uma mochila e perpetrou o ataque no fim da manhã, na aula de Ciências. Depois de um disparo dentro da mochila e de um tiro para o alto, o estudante mirou em um jovem sentado atrás, que implicava com ele por causa do cheiro. O menino foi imobilizado ao recarregar a arma.

O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Apuração de Atos Infracionais, afirmou que o crime foi motivado pelo bullying que o jovem sofria no colégio. "Ele me disse que se inspirou em duas tragédias: Columbine e Realengo. E pensava em se vingar há dois meses", informou. E a tragédia podia ser muito maior. "Ele ia matar todo mundo. Levou dois carregadores. Descarregou o primeiro, carregou o segundo, deu um tiro, mas foi abordado pela coordenadora. Ele pensou até em se matar, apontou a arma para a cabeça, mas ela o convenceu a travá-la", disse Gonzaga.

Alunos lembram os momentos de pânico. "Achei que fosse uma bexiga, algum experimento", diz uma colega. Quando percebeu que era tiro, ela e amigos saíram correndo. A aluna se escondeu na delegacia perto do local.

Contexto e luto

O Massacre de Columbine, de 1999, no Estado do Colorado (EUA), deixou 12 alunos e um professor mortos. Os dois estudantes autores do crime cometeram suicídio. Já o caso de Realengo, ocorrido em 2011, resultou na morte de 12 alunos em uma escola municipal. O responsável pelo crime também se matou. Nos dois casos, os agressores portavam armas pesadas.

No portão de entrada do Colégio Goyases, faixa com os dizeres "Família Goyases em luto" foi afixada à tarde. O presidente Michel Temer se disse "consternado". "Como todo brasileiro, estou consternado com a tragédia na escola de Goiânia. Minha solidariedade às famílias. Força!", afirmou o presidente, por meio de uma postagem nas redes sociais. Em nota, o governo do Estado de Goiás e decretou luto oficial de três dias.

JANAÚBA

Novamente na cidade de Janaúba, um homem foi preso, na quinta-feira, depois de ameaçar atear fogo a uma creche na localidade, distante 40 quilômetros da área urbana. Luiz Carlos Mendes Moreira, de 52 anos, encaminhado para a delegacia, contou que trabalhou em uma empreiteira que prestava serviço para a Prefeitura de Janaúba e que teria um valor para ser recebido.

Indignado com o atraso do pagamento, ele teria comentado com uma parente que colocaria fogo na creche, caso a dívida não fosse paga. Diante da ameaça, a mulher o denunciou à polícia.

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