Retrato da solidão nossa de cada dia em cena

Dirigida por Daniel Herz, 'Tudo o que Há Flora' fala sobre a dificuldade de se comunicar e sobre o inconsciente feminino

Por O Dia

A complexidade das relações humanas é um tema que interessa e está presente nos textos dos palcos cariocas. E o espetáculo 'Tudo o que Há Flora', em cartaz à partir deste sábado, no palco do Teatro Cesgranrio, no Rio Comprido, mantém essa tendência, falando sobre solidão, a incomunicabilidade e o inconsciente feminino. A montagem da Nossa! Cia. de Atores, de Leila Savary, Lucas Drummond e Thiago Marinho, com direção de Daniel Herz e roteiro de Luiza Prado, conta a história de Flora, uma dona de casa que cumpre um ritual diário enquanto espera o marido para o almoço. A trama, que poderia ser apenas uma história de amor, revela um lado sombrio. "Queríamos falar sobre como as pessoas conversam, mas não se escutam e muitas vezes vivem em uma aparente normalidade que nunca existiu, tentando esconder a solidão e suas imperfeições", resume Leila.

Essa temporada conta ainda, com um reforço de peso: o ator Rainer Cadete."Meu personagem se chama Armando. Ele é o marido da Flora, os dois vivem uma situação limite com cheiro de traição", antecipa. "A peça fala sobre como a solidão é capaz de afetar a mente de uma pessoa. O mundo contemporâneo não dá tempo para um trauma ser curado e as pessoas são obrigadas a conviver com seus demônios sem conseguir pedir ajuda. Mostramos em cena como uma situação de aparente normalidade pode esconder uma realidade muito mais cruel e profunda dentro das pessoas",diz.

Rainer acredita que a peça gera identificação com o público, e desenvolve ainda sobre o assunto: "A sensação de estar sozinho no meio de uma multidão é cada vez mais presente em nossos corações ansiosos e angustiados. Acho importante falar sobre isso. A arte existe para levantar o debate e ser um instrumento de transformação na sociedade, além de entreter", opina.

O ator também estará em breve nas telonas com 'Virando a Mesa', de Caio Cobra. "Faço o Jonas, um policial que se envolve com o mundo dos jogos clandestinos. É o meu primeiro protagonista no cinema. Um desafio estimulante", conclui.

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