01 de janeiro de 1970
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Da Bahia para o mundo!

Por O Dia

Fale sobre você.

Sou um eterno sonhador que resolveu pegar nos sonhos tudo que é possível realizar. Nasci em Salvador, mas sou do mundo, sou do lugar onde me tratam bem, como a cidade do Rio, que me acolheu e me faz feliz. Me vejo encarcerado se não estou no palco ou na tela da TV ou cinema. Amante da música, sou um pouco compositor, poeta e autor. Adoro as letras. Fui professor de escola pública, estudei teatro em Coimbra, Portugal.

Como entrou para o Bando Olodum?

Foi em 1999 num processo de oficinas, fui escolhido e fiquei 11 anos. Foi como uma universidade. Cursei comunicação social e não terminei para seguir na carona do cinema, teatro e TV. Momento marcante na minha vida porque consegui entender que era possível viver de arte. Junto, veio a bagagem da responsabilidade social. Acredito que a arte é transformadora se bem tratada, respeitada e valorizada.

Como descobriu o humor?

Sou amante de todos os gêneros, mas o humor me dá uma arma tão forte, é tão grande que não ouso me libertar dele. O humor surge na minha vida quando comecei fazer teatro em 1987, aos 7 anos. Sei que posso atuar em outras vertente, a prova disso é que estou indicado ao Emmy este ano por participar de uma série francesa, produzida no Brasil, 'Crime Time - Hora de Perigo', represento um policial militar em São Paulo. Por outro lado, faço o 'Zorra' e interpreto vários personagens. Me sinto agraciado com o humor e outros gêneros.

Desafio da carreira?

Me firmar como ator em 1999, me profissionalizar e viver disso. Época difícil em que minha mãe bancou minha iniciante carreira, uma vez que não tinha a presença do pai, que sofre de alcoolismo maltratando a mim e meus irmãos e também minha mãe. Não foi fácil mas consegui.

Como é trabalhar com a mulher e filhos?

Trabalho com minha esposa Kenia Maria em nossa peça 'Double Black'. A Kenia é uma parceira e tanto. Ela escreve, dirige comigo e, na maioria das vezes, resolve questões de produção. Adoro estar com ela. Minha filha Gabriela Dias atua na série 'Cidade Proibida' e fez o 'Pop Star' comigo. Matheus é biomédico, e Érica ainda não se decidiu, mas já escreve bem com 14 anos. Estou bem rodeado.

Uma calça justa...

Foi o momento em que fui discriminado na Avianca. Nas redes sociais, muitas pessoas acharam que estava me aproveitando daquela situação. Mas a prova de que estávamos certos, eu e Kenia, é que ganhamos a questão e fomos indenizados.

Papel dos sonhos?

Protagonizar uma série ou novela com um personagem que seja um herói popular.

Novidades para 2018?

Continuarei no 'Zorra' e produzirei minha peça com Kenia Maria e devo fazer parte de um espetáculo em SP, com direção do Jarbas Homem de Mello.

Como lida com o preconceito?

Existe preconceito no Brasil para todos. Mas o que mais me preocupa é o preconceito racial, porque ele mata. Existe uma parcela da população, extremamente significativa na participação em nosso PIB, que consome R$ 1 trilhão por ano e corresponde a 51% da população brasileira. E mesmo assim, essa parcela está fora das principais decisões do país, da publicidade e do sucesso. É descendente de africanos trazidos para o Brasil em condição de capturado para trabalho forçado. São os negros que estão em maior parte do trabalho forçado no país. E com isso, nos tornamos uma nação segregadora e que não vê nos seus cidadãos a saída para o caos que vivemos, sem perspectiva de melhora.

O que te tira o sono?

Injustiça. Vivemos num país marcado pelo processo de escravidão muito longo, que deixou como resquício as injustiças. Isso tem se ampliado ao longo do tempo com diversos tipos de discriminação e injustiça. Isso me incomoda muito porque sei que estamos cavando uma cova para a juventude brasileira, que está cada vez mais sem rumo.

Pensa em trabalhar com música?

Não descarto a ideia, mas entendo o quanto terei que me dedicar caso eu resolva encarar de vez essa carreira. Tenho um planejamento e penso em seguir.

Qual a melhor lembrança da infância?

Meus primeiros passos no teatro acompanhado de amigos que foram importantes naquela época. Outra lembrança forte é de quando minha mãe me disse: "Se você quer fazer teatro, é porque você precisa fazer teatro". Isso foi marcante demais, minha mãe é uma mulher feminista sem saber. É uma mulher libertadora por natureza. Essa mulher é Dona Valquiria Brás.

Família para você é...

Alicerce para as realizações. Na minha família, eu descanso os meus desejos e anseios. Uma família bem estruturada é capaz de alavancar o sucesso de qualquer pessoa. Eu faço da minha família o trampolim das minhas realizações.

Um beijo e um sonho.

Um beijo na arte de Gilberto Gil, ímpar e iluminada. Um sonho: acabar com a injustiça social no país.