É POSSÍVEL ATÉ PREVER DOENÇAS O Dia - Negócios
01 de janeiro de 1970
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É POSSÍVEL ATÉ PREVER DOENÇAS

Aplicativo para celular vai registrar estresse, ansiedade, horas de sono e práticas de exercício físico do usuário. Com base nessas informações, vai ser possível detectar a probabilidade de enfermidades. Nova tecnologia deve ser lançada em 2018

Por O Dia

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Em meio a um cenário de queda de beneficiários de planos de saúde no país, as empresas investem em tecnologia para resgatar clientes, apostando no incentivo a hábitos saudáveis para reduzir o preço repassado aos clientes. Aplicativos para celular aliados a seguradoras e a empresas de planos de saúde registram toda a rotina do cliente. E já podem até apontar a probabilidade do usuário adoecer. Níveis de estresse, ansiedade, horas de sono e práticas de exercício físico ajudam a traçar um perfil personalizado. Essas informações são cruzadas com a frequência de idas ao médico para indicar um valor cobrado ao segurado.

E, ao monitorar a saúde em tempo real, o aplicativo também vai sinalizar ao paciente quando algo estiver errado. O método, que já existe nos Estados Unidos, está sendo desenvolvido pela thinkseg no país. A previsão é que o app seja lançado no primeiro semestre de 2018.

Essa tecnologia de monitoramento vai ser possível graças a um mecanismo chamado de 'machine learning' (aprendizado das máquinas, em inglês). O objetivo é o mesmo das outras práticas em desenvolvimento no país: tornar o negócio viável para clientes e empresas. "As empresas trabalham com risco. Se o cliente reduzi-los, terá descontos na renovação da cobertura. Se ele for alertado e não desenvolver um comportamento saudável no dia a dia, o preço vai subir", alerta André Gregori, CEO e fundador da thinkseg.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL

O CEO da thinkseg não revela detalhes dos mecanismos que captam padrões de comportamento e sintomas do usuário pelo smartphone. Diz, apenas, que há tecnologias semelhantes sendo desenvolvidas pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts. Lá, duas empresas criaram sensores que, usados no pulso, detectam mudanças fisiológicas, como transpiração elevada e temperatura do corpo. O dispositivo também indica estresse, excitação e ansiedade. Com um sistema de 'machine learning', elas desenvolvem inteligência artificial que prevê riscos de a pessoa ficar doente, a partir da análise contínua de dados.

O dispositivo pode ainda mostrar a aparência e fisionomia de humor. Outras tecnologias são capazes de detectar emoções, baseadas no jeito da pessoa pegar, falar e usar o celular. Uma espécie de smartphone inteligente que sabe se você está com raiva ou não.

MERCADO EM TRANSFORMAÇÃO

Para o CEO da thinkseg, o mercado de seguros vive uma transformação tecnológica que vai revolucionar o segmento. "Não somos um modelo de digitalização isolado no setor de seguro. O processo de digitalização envolve uma transformação em todo segmento, desde seguradoras, corretoras, prestadores de serviços e ainda mudança de comportamento de empresas e consumidores", diz André Gregori.

No começo do mês, ele participou do 'InsurTech Connect 2017', em Las Vegas, um dos mais importantes encontros do segmento no mundo, que contou com a presença de cerca de 3 mil pessoas. O foco: as inovações tecnológicas do ramo.

A aposta na tecnologia é uma resposta à queda do segmento. A ideia é captar novos clientes. Até mesmo aqueles de alto risco, mas interessados em adotar hábitos saudáveis, que possam ser monitorados com o auxílio das novas tecnologias. "Investir em tecnologias sempre resulta em aperfeiçoamento do atendimento e do controle e da qualidade das informações", informou a Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde). De acordo com a entidade, os custos com planos de saúde representam cerca de 12% da folha de pagamento das empresas.