As consequências são sérias, mas as causas podem ser facilmente combatidas

Por O Dia

Rio - João se deita às 23h, mas frequentemente desiste de tentar dormir por volta das 4h. Nas noites em que consegue adormecer antes disso, acorda muito antes do despertador tocar. No dia seguinte, os cafés da manhã e da tarde sustentam o corpo e a mente até a próxima tentativa de uma boa noite de sono. Além do publicitário João Gabriel Monteiro de Souza, 26, 63% da população brasileira também sofre de insônia, segundo dados do Instituto do Sono.

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"Isso acontece desde a infância, mas hoje poderia ser culpa do estresse no trabalho. Além disso, às vezes tenho ótimas ideias no meio da madrugada e preciso levantar para anotar. Provavelmente a insônia tem solução, mas aprendi a lidar com ela", explicou João. A médica neurologista da Associação Brasileira do Sono, Andreia Bacelar, confirma. "Muitas vezes o paciente se ajusta à insônia em vez de procurar ajuda. Isso pode ter consequências graves, a insônia pode se tornar crônica".

Os sintomas mais frequentes são a demora a adormecer, sono fragmentado quando a pessoa acorda várias vezes durante à noite ou cedo demais, sonolência durante o dia, pouca energia e irritabilidade. Episódios de insônia ao menos três vezes por semana, ao longo de três meses, caracterizam um transtorno e apontam que é o momento de procurar ajuda especializada. "Existem especialistas em medicina do sono, além de médicos de outras especialidades que também se aprofundam nessa questão. A insônia pode ter várias causas, o importante é que tanto o médico quanto o paciente tenham um olhar crítico sobre isso, analisem a quantidade e a qualidade. Muitas vezes a pessoa tem queixas diurnas que podem estar sendo causadas pela insônia", explicou Andreia.

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Além de tratamentos médicos e uso de medicamentos, a mudança de hábitos pode ser uma aliada para superar o problema. A especialista recomenda que se faça uma 'higiene do sono', praticando exercícios físicos, tomando sol pela manhã e evitando luzes à noite, escolhendo alimentos leves antes de dormir e moderando o consumo de álcool e cafeína.

A nutricionista Áurea Astulla ressalta que o consumo de alimentos gordurosos, carnes vermelhas e grãos antes de dormir podem piorar a insônia. "No jantar, deve-se preferir alimentos como tubérculos, raízes e bulbos". A fitoterapia (estudo de ervas medicinais) com o consumo de chás relaxantes também pode ajudar. "Entre as plantas destacam-se a passiflora, erva-cidreira e o capim-limão".

Automedicação é contraindicada

Quem sofre de insônia tem hábitos comuns de recorrer ao uso de álcool, tranquilizantes ou remédios que causam sonolência como efeito colateral, como antialérgicos e antieméticos. A automedicação é contraindicada pelos médicos. "Usar essas substâncias sem recomendação médica dificilmente resolve o problema e pode causar dependência", alertou a doutora Andreia.

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A melatonina, uma das substâncias mais populares para ajuste do sono, teve sua venda liberada pela Anvisa em farmácias de manipulação em janeiro. "É um hormônio que produzimos naturalmente e só se deve suplementar quando prescrito por especialista". Andreia explica que a substância, apesar de ajustar ciclos de sono, pode não ser a melhor opção. "Reeducação nos hábitos antes de dormir, evitando fatores que inibem a produção desse hormônio, a pessoa pode ser autossuficiente na produção de melatonina e ter seu sono ajustado", garantiu. 

Reportagem da estagiária Nadedja Calado, sob supervisão de Angélica Fernandes

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