À procura de respostas e restrições

Debate sobre revisão das normas de venda de armas volta a causar polêmica, depois do horror em Vegas

Por O Dia

Enquanto a sociedade americana busca entender o maior massacre da história moderna dos Estados Unidos, a questão da regulação da venda de armas de fogo no país volta à tona para atormentar o presidente Donald Trump e o Partido Republicano, radicalmente contrários à ideia. O atirador Stephen Paddock dispunha de 23 armas de grande porte, explosivos e inúmeros cartuchos no quarto do hotel de onde abriu fogo contra os 22 mil que assistiam a show country ao ar livre, deixando 59 mortos e mais de 520 feridos.

Nos EUA o controle de armas é um dos mais brandos do mundo alguns estados vendem sem pedir identificação ou atestados de antecedentes criminais, em locais como feiras e até supermercados. Massacres costumam levantar debates, mas o lobby das armas consegue barrar todas as iniciativas de mudança na legislação entre os congressistas, em sua maioria Republicanos, que têm suas campanhas financiadas por empresas armamentistas e pela Associação Nacional do Rifle.

Em breve pronunciamento na Casa Branca, após o atentado, Trump afirmou que o ato representa "o mal absoluto" e pediu que o país permaneça unido e reze. Mas não disse nenhuma palavra sobre o controle da venda de armas de fogo. Trump sempre foi um defensor feroz da Segunda Emenda da Constituição, cuja interpretação é objeto de ásperas discussões, que estipula que não se pode atentar contra "o direito do povo de ter e portar armas". Pouco depois, a sua porta-voz, Sarah Huckabee Sanders, opinou que era "prematuro" iniciar esta discussão.

Trump desconversa

Apesar de a investigação ter apenas começado, os rivais democratas de Trump já exigem, independentemente de quais tenham sido as motivações do assassino, modificação na legislação sobre armas. Nancy Pelosi, líder da bancada democrata na Câmara de Representantes, escreveu ao líder republicano Paul Ryan para pedir a criação de comissão que proponha "lei razoável para ajudar a acabar com esta crise". "A polícia fez um extraordinário trabalho, e falaremos das leis de armas à medida que o tempo passar", disse Trump antes de viajar a Porto Rico.

Massacre após massacre, os democratas não deixaram de tentar tornar a legislação sobre a venda de armas mais estrita, mas os republicanos conseguiram, até agora, agir em bloco e se opor a qualquer limitação. Sondagens indicam que a maioria dos americanos é a favor de endurecimento da legislação.

Celebridades se unem pela revisão da lei

Celebridades do show business, como Lady Gaga e Ariana Grande, pediram aos líderes americanos que ajam rapidamente para endurecer as leis de armas após o massacre. Lady Gaga usou a sua influência nas redes sociais para pressionar os políticos. "Democratas e republicanos, por favor, se unam agora", escreveu a estrela do pop.

Ariana Grande, que em maio viveu drama semelhante, quando um seguidor do Estado Islâmico matou 22 pessoas que foram a seu show em Manchester, disse que não via diferença com o ataque em Las Vegas. "Precisamos de amor, unidade, paz, controle de armas e que as pessoas olhem para isso e chamem do que é: terrorismo", tuitou.

Autoridades ainda não sabem o que levou Stephen Paddock a cometer tamanha atrocidade. Não surgiram ligações com o Estado Islâmico, que 'reivindicou' a autoria do 'atentado' de Las Vegas.

Galeria de Fotos

Trump não quis falar de leis AFP/MANDEL NGAN
Loja em Mesquite onde Paddock adquiriu legalmente parte das armas AFP/Robyn Beck
Velas, flores e lembranças são deixadas perto da esplanada onde 22 mil pessoas assistiam ao show AFP/Mark RALSTON

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