Nevada teme perder o filão das armas

Por O Dia

Vendedores de armas de Las Vegas temem a adoção de novas restrições a seu negócio. Nevada é um dos estados mais liberais nesse comércio. Poucos aceitaram falar sobre o tiroteio, ou sobre o arsenal de Stephen Paddock.

"Estou horrorizado. Foi um ato típico de um covarde, de um louco", disse Art Netherton, proprietário da loja de armas Briarhawk, um dos poucos profissionais a conversar com a imprensa. Netherton se opõe a qualquer reforma das leis. Para ele, seria uma "reação covarde".

"Há centenas de leis nos livros. Se bem me recordo, o assassinato é ilegal, as drogas são ilegais, o homicídio com automóvel é ilegal. Estamos cheios de leis, não precisamos de mais", afirmou.

Atirador de Las Vegas também considerou Boston e Chicago

O atirador de Las Vegas, que executou o maior massacre com arma de fogo da história recente dos Estados Unidos, também considerou a possibilidade de perpetrar ataques em Chicago e Boston. E a tragédia no festival de música country, em que 59 pessoas morreram, poderia ter sido muito maior: tiros de fuzil disparados por Paddock chegaram a perfurar tanques de combustível de aviação próximo ao local do show.

Em agosto, Stephen Paddock reservou dois quartos para o festival Lollapalooza no Hotel Blackstone, em Chicago, que tem vista para o grande parque do Centro da cidade, onde o famoso evento (que tem filial em São Paulo) ocorreu. O apostador e contador aposentado de 64 anos também procurou por hotéis próximos ao estádio de beisebol Fenway Park, em Boston, mas não houve indícios de que tivesse viajado.

As autoridades descobriram o interesse de Paddock nessas duas cidades ao examinar sua comunicação e equipamentos eletrônicos. Milhares de pessoas foram ao Lollapalooza, no Grant Park, incluindo Malia Obama, filha do ex-presidente Barack Obama. Paddock nunca apareceu para sua reserva em Chicago, mas o período de 2 a 5 de agosto poderia ter dado a ele uma oportunidade similar à do festival de domingo.

Mais de 500 pessoas ficaram feridas e 59 morreram quando Paddock atirou da janela de um hotel na direção da multidão que participava de um show de música country. Investigadores declararam que o ataque foi meticulosamente planejado e que o terrorista queria fugir mas foi encurralado pela polícia no quarto do hotel de onde atirou contra a massa de 22 mil pessoas.

Não se sabe ainda se Paddock queria atingir os tanques de combustível que servem às aeronaves do Aeroporto Internacional McCarran e estavam em sua linha de tiro. A quantidade de explosivos encontrada em sua casa, porém, sugere que o contador cogitou transformar seu carro numa bomba.

Maratona sob alerta

As notícias sobre a conexão com Chicago levaram os oficiais a reforçar a segurança de uma maratona que acontecerá no fim de semana, e onde são esperados mais de um milhão de espectadores e cerca de 40.000 participantes. "Estamos constantemente revisando e fazendo perguntas fundamentais", disse o prefeito Rahm Emanuel, acrescentando que a maratona ocorrerá como o planejado.

O Departamento de Polícia enviou mais de 1.000 agentes para a mobilização de segurança da maratona.

"Uma das coisas que estamos fazendo é colocar um número significativo de oficiais à paisana", afirmou Anthony Riccio, chefe do Departamento de Crime Organizado da Polícia de Chicago.

"Eles estarão misturados na multidão. Estarão próximos aos corredores", declarou Riccio.

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