A 'meia-independência' catalã

Puigdemont declara separação, mas na sequência a suspende, desagradando a conterrâneos e a Madri

Por O Dia

O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, anunciou ontem no Parlamento regional o resultado do referendo de 1º de outubro, favorável à separação da região do resto da Espanha, e disse que ela ganhou o direito de ser independente. Mas, em seguida, ele propôs suspendê-lo em prol de um diálogo, frustrando os independentistas que esperavam a separação definitiva.

Quem também não gostou do pronunciamento foi o governo espanhol de Mariano Rajoy, que considerou a medida uma declaração implícita de independência, após o referendo que foi considerado ilegal pela Justiça. "Não é admissível fazer uma declaração implícita de independência para depois deixá-la em suspenso de forma explícita."

Em um aguardado comparecimento no Parlamento regional, Puigdemont declarou o veredicto das urnas, em um discurso quase todo em catalão. "Assumo, ao apresentar-lhes os resultados do referendo a todos vocês, o mandato de que a Catalunha se torne um Estado independente em forma de república", disse Puigdemont, acrescentando: "O governo da Catalunha e eu mesmo propomos que o Parlamento suspenda os efeitos da declaração de independência, contanto que nas próximas semanas empreendamos um diálogo sem o qual não é possível chegar a uma solução acordada".

Madri havia pedido horas antes que Puigdemont não fizesse nada "irreversível" e desistisse de agravar a pior crise política que a Espanha vive em sua era democrática moderna. No exterior do Parlamento isolado pela polícia, milhares de pessoas acompanhavam o discurso do presidente catalão. "Estamos esperando que declarem a independência e sabemos que teremos que estar na rua para defendê-la", disse Marta Martínez, advogada de 50 anos, antes do discurso.

Líderes europeus estão ao lado de Mariano Rajoy

O governo espanhol recebeu o apoio do presidente francês, Emmanuel Macron, e do presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, que pediu ao Executivo catalão que "não anuncie uma decisão que torne tal diálogo impossível". As pressões internacionais, assim como a fuga de empresas e a incerteza econômica, influíram na decisão de Puigdemont, que reivindica uma mediação internacional para solucionar a crise.

Diante de um cenário de incerteza, as companhias catalãs optaram por se resguardar: seis das setes maiores empresas da região transferiram sua sede para outras partes do país. "É um reflexo claro do grau máximo de preocupação do mundo empresarial", advertiu em um comunicado a principal patronal catalã, a Fomento del Trabajo, pedindo aos separatistas para frear seus planos, que poderiam levar "à insolvência econômica".

Mariano Rajoy comparecerá hoje, às 11h de Brasília, no Congresso dos Deputados para falar sobre a Catalunha.

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