Aécio Neves: votação no Senado seguirá aberta

Sessão decidirá sobre afastamento e recolhimento noturno; político nega acusações de obstrução da Justiça e corrupção passiva e se diz uma "vítima"

Por O Dia

O juiz Marcio Lima Coelho de Freitas, da Sessão Judiciária do Distrito Federal, concedeu liminar na noite de sexta que obriga o Senado a adotar votação aberta e nominal na sessão que decidirá sobre o afastamento e recolhimento noturno do senador Aécio Neves (PSDB-MG).

A decisão atende a ação popular movida pelo presidente da União Nacional dos Juízes Federais (Unajuf), Eduardo Cubas. A liminar se baseia na emenda 35/2001 que altera o artigo 53 da Constituição suprimindo a possibilidade de votação fechada nos casos que envolvem a suspensão de direitos de parlamentares.

Já a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) classificou como "inadmissível" a hipótese de o Senado adotar a votação secreta. "A sociedade brasileira exige transparência e honestidade na aplicação da justiça. Voto aberto, portanto", disse o presidente nacional da OAB, Claudio Lamachia.

"VÍTIMA"

Aécio foi afastado do mandato parlamentar por determinação da Primeira Turma do Supremo. Com base nas delações de executivos da J&F, o senador afastado foi acusado pela PGR de ter cometido os crimes de obstrução de Justiça e corrupção passiva. Aécio negou as acusações e se afirmou "vítima de armação".

Durante a semana, senadores afirmaram que, se o voto não fosse secreto, a pressão da opinião pública pode fazer com que parlamentares desistam de reverter a suspensão do mandato do político mineiro. A cúpula do Senado chegou a articular para que a votação em plenário fosse secreta, para evitar o desgaste dos senadores que querem votar a favor de Aécio e suspender as medidas cautelares impostas pela Primeira Turma do STF.

41 VOTOS

A votação de Aécio está marcada para esta terça-feira. Também alvo da Lava Jato, o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi escalado pelo presidente Michel Temer para convencer os pares a suspender as medidas cautelares impostas pelo Supremo. Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Aécio vai ter dificuldades em voltar ao Senado. "São 41 senadores que têm de dizer publicamente que aceitam enfrentar a decisão da Primeira Turma do Supremo", disse. Para derrubar a decisão do Supremo, Aécio precisa de 41 votos.

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