Hospital vira o centro de esperança de refugiados

Cruz Vermelha tenta atender milhares de rohingyas, perseguidos em Mianmar

Por O Dia

Halima,mãe do pequeno Hares, que por pouco não sucumbiu à pneumonia, jamais tinha ido a um hospital
Halima,mãe do pequeno Hares, que por pouco não sucumbiu à pneumonia, jamais tinha ido a um hospital - AFP/Tauseef MUSTAFA

Um bebê da etnia rohingya de oito meses estava à beira da morte por pneumonia quando sua família o levou ao novo hospital de campanha da Cruz Vermelha nos campos de refugiados do sul de Bangladesh. "Se tivesse chegado só uma hora mais tarde, não haveria qualquer chance de sobreviver", explica Peter Meyer, chefe de equipe do hospital. Mohamad Hares, o bebê, faz parte dos mais de 600.000 rohingyas de Mianmar que fugiram para o vizinho Bangladesh para escapar do que a ONU considera uma limpeza étnica. O drama já se arrasta desde o fim de agosto.

O confinamento e a insalubridade dos campos de refugiados em Bangladesh, que acolhem agora quase um milhão de rohingyas, favorecem o surgimento de doenças. As autoridades temem uma catástrofe sanitária. Devido à falta de infraestrutura higiênica, as pessoas evacuam onde conseguem, contaminando a água e aumentando o risco de epidemia de cólera. Milhares de pacientes, sobretudo as crianças, sofrem com fortes diarreias. Para muitos rohingyas, originários da região isolada e subdesenvolvida de Rakain, no oeste de Mianmar, este hospital da Cruz Vermelha é o primeiro contato com a medicina moderna. "Nunca vi um hospital como este em toda a minha vida", declarou Halima Khatun, a mãe de Hares. "Quando estávamos doentes, íamos consultar os curandeiros da aldeia", conta.

Os Estados Unidos anunciaram segunda-feira que vão reduzir a ajuda militar ao Exército de Mianmar. Washington também analisa "medidas econômicas contra indivíduos relacionados a essas atrocidades".

Contexto

Os rohingyas são conhecidos como "a minoria mais perseguida do mundo". Devido à religião muçulmana que praticam em um país onde 90% da população é de budistas, eles são vítimas de múltiplas discriminações, como trabalho forçado, extorsão, restrições à liberdade de circulação, regras de casamento injustas e confisco de terras. Há séculos vivendo no território de Mianmar, são considerados um povo sem Estado e não são reconhecidos como um dos 135 grupos do país. No entanto, há cerca de 1,1 milhão deles em Myanmar, sob extrema pobreza. Quase todos os membros desta minoria em Mianmar não podem deixar o território de Rakain sem a permissão do governo. Eles vivem em um dos estados mais pobres do país, em moradias semelhantes a acampamentos sem serviços básicos.

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