Violência como um câncer

Por Marcos Espínola Advogado criminalista

As consequências da violência na cidade do Rio já escorrem por suas fronteiras. Com os recorrentes episódios em diversos pontos, não são poucos os cidadãos cariocas determinados a deixar as maravilhas e os encantos mil em busca de paz. Neste contexto, as cidades do interior já sentem a chegada desordenada de pessoas, o que pode impactar na qualidade de vida local. Mais um desafio para as autoridades, principalmente das forças federais, que, até o momento, só praticaram pirotecnia, sem medidas eficazes para solucionar o quadro caótico da segurança pública do estado.

Recente pesquisa do Datafolha revelou que 72% dos moradores disseram que iriam embora do Rio por causa da violência. Foram ouvidas mais de 800 pessoas, e esta vontade foi expressa pela maioria em todas as regiões e faixas socioeconômicas. Um clima de insegurança notório e que deflagra o quanto descrente está o povo.

E não é para menos. Nos últimos meses, tiroteios, mortes e feridos viraram rotina e, além da morte de mais de 100 policiais, as vítimas de bala perdida só aumentam.

Segundo o Instituto de Segurança Pública, homicídios dolosos, roubos e lesões corporais seguidos de morte e mortes decorrentes de ação policial aumentaram 16,32%, somente entre janeiro e junho deste ano. Uma guerra.

Assim, os olhares desesperados se voltam para as cidades das regiões Serrana e dos Lagos. Mas, se isso representa esperança de dias mais calmos para alguns, coletivamente isso também pode ser um problema. A expansão de cidades como Cabo Frio e Arraial do Cabo pode causar crescimento desordenado e favelização. O mesmo acontece na Serra.

Além disso, com a evolução desses municípios, o próprio tráfico desperta o interesse pela região, movimento que já vem acontecendo há alguns anos. Ano passado, por exemplo, Cristiane Silva, a Tia do Pó, foi presa na Região dos Lagos, onde comandava o tráfico de drogas em comunidades de Araruama e de Macaé.

Em verdade, o clima paradisíaco do nosso litoral também já se encontra ameaçado pelos tentáculos do tráfico, e a preocupação é que se intensifique ainda mais. Uma debandada maior de moradores para estas regiões tende a fomentar a penetração do narcotráfico e, assim como o câncer metastático, tomar todo o estado. Precisamos de medidas preventivas para frear isso o quanto antes.

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