Proibida a entrada de cães e chineses

Por Roberto Muylaert Editor e jornalista

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A partir do fim da Segunda Guerra Mundial, os Estados Unidos passaram a ser uma espécie de donos do mundo, com o seu papel de destaque na vitória dos aliados. No campo político do pós-guerra, o regime democrático passou a ser vendido como sistema de governo ideal para qualquer país, a partir do qual se chega ao 'american way of life', o modo de vida da sociedade americana, baseado no consumo desenfreado.

Não há dúvida de que a democracia deu certo naquele país, onde as oportunidades para o desenvolvimento da iniciativa privada resultaram na economia mais pujante do mundo.

Hoje parece claro que, em algumas regiões, por suas características étnicas, socioeconômicas e geopolíticas, a encrenca pode ser maior ao trocar um regime estabilizado sem democracia por um regime não estabilizado democrático. O último capítulo em que os americanos quebraram a cara foi ao derrubar Saddam Hussein, um ditador sem escrúpulos que mantinha o Iraque em equilíbrio, em meio a diversas etnias inimigas entre si. George W. Bush inventou que o país tinha armas de destruição em massa. Sem ouvir as Nações Unidas, o invadiu. Deu no que deu.

Surge agora a China, que, a partir de seu estrondoso sucesso econômico, começa a perguntar para o resto do mundo por que não adotar o seu regime político não democrático, tão bem sucedido por lá. Não é à toa que a revista 'Economist' deu uma capa com o presidente Xi Jimping como o mais poderoso do mundo.

A fórmula chinesa é simples: toda a parte política e social na mão do governo, cabendo à iniciativa privada tocar a economia, com o mínimo de interferência e o máximo de auxílio econômico, o que resultou na poderosa China de hoje. Um país dominado por muito anos pelas potências ocidentais, onde num parque de Xangai há uma placa inglesa, guardada de lembrança, onde se lê: "Proibida a entrada de cães e chineses".

Para os países desiludidos com a democracia, Xi Jinping não apenas injeta dinheiro maciço em nações pobres, como também procura mostrar as vantagens de seu regime frente às democracias pouco consolidadas, em que o povo paga o pato pelos desmandos dos políticos no poder, e a economia não avança.

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Roberto Muylaert, colunista do DIA Divulgação

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